terça-feira, 8 de março de 2011

Iémen: Oposição recusa proposta do presidente

Polícia do Iêmen abre fogo contra
manifestantes e fere 90

Manifestantes pedem a saída do presidente e o fim da corrupção

Forças de segurança do Iêmen abriram fogo nesta terça-feira (8) contra opositores do governo que protestavam ao lado de uma universidade na capital, Sanaa.

A polícia atirou contra a multidão, que pedia a saída do presidente Ali Abdullah Saleh, e também usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para tentar barrar outras centenas de pessoas de se juntar ao protesto.

Médicos disseram à BBC que ao menos dez pessoas tinham sido baleadas e cinco estavam em estado crítico. Outras 80 foram internadas com sintomas decorrentes dos efeitos do gás.

Também houve relatos de repressão violenta a marchas de opositores em cidades no sul do país.

Dia da Mulher

A manifestação desta terça-feira em Sanaa teve a participação de muitas iemenitas, que lembravam o Dia Internacional da Mulher.

Segundo o líder da oposição Muhammad Qahtan, houve um verdadeiro “massacre” durante a ação policial.

Os iemenitas - a maioria jovem - estão acampados diante da universidade desde meados de fevereiro, inspirados pelas revoltas em países vizinhos.

Além da renúncia de Saleh, eles pedem mais oportunidades de emprego e o fim da corrupção.

Saleh, que está no poder desde 1978, afirma que pretende deixar a Presidência a partir de 2013. No entanto, os opositores pedem sua saída imediata.

Cerca de 40% da população do Iêmen vive com menos de R$ 3,30 (US$ 2) por dia e um terço passa fome, segundo indicadores internacionais. Um em cada dois iemenitas possui armas, e analistas dizem que o país está próximo de ser considerado um Estado falido.

No Brasil temos direito a tudo (apenas na teoria)

http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/acesso-a-internet-pode-se-torna...

Acesso à internet pode se tornar direito social
Uma proposta que está sendo avaliada no Senado pretende incluir o acesso à internet entre os direitos sociais estabelecidos pela Constituição

São Paulo — A inclusão digital poderá ser inserida na lista de direitos sociais estabelecida pela Constituição Federal. Esse é o objetivo de uma proposta de emenda à Constituição (PEC 6/11) que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. A PEC é uma iniciativa do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que a justifica a medida em razão do precário acesso à internet constatado entre estudantes pobres e moradores de regiões menos desenvolvidas do país.

O parlamentar alega que, apesar de registrar avanços em suas redes de telecomunicações, o Brasil ocupava, em 2008, a 69ª posição entre 193 países com acesso à internet no ranking da União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Ele completa dizendo o país está bem atrás de nações como Austrália, Holanda, Suécia e Islândia, onde 70% a 90% da população se conectam à rede mundial de computadores. Segundo Rollemberg, o Brasil -- com apenas 17,2% da população inserida no mundo virtual -- também perde para vizinhos como Argentina (17,8%), Uruguai (20,6%) e Chile (28,9%).

"O pior é que essa média baixa de inclusão digital encobre desigualdades extremas", alerta Rollemberg na justificação da PEC. "O desfrute de muitos direitos do cidadão, como o da informação, da educação, do trabalho e da remuneração digna, depende cada vez mais do acesso às tecnologias da informação e comunicações. Daí a necessidade de incluir tal acesso como um direito constitucional", afirma. As informações são da Agência Senado.

Buarque quer PEC que dá direito à busca da felicidade (Se estiver na Constituição todos vão ser feliz, assim como todos tem alimento, moradia, saúde, educação e segurança?)
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,buarque-quer-pec-que-da-direito-a...

Comida e diversão estão mais caras desde o ano passado (Deveria estar mais baratos por fazer parte de um direito constitucional nosso, ne?)
URL: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/877746-comida-e-diversao-estao-mais-car...

Lula culpa antecessores por criminalidade juvenil (O Direito a vida é para ser preservado e nao jogar a culpa para outros...)
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lula-culpa-antecessores-por-crimi...

"Sobra verba e falta projeto", diz Tarso Genro sobre programa de combate à criminalidade (por que sera?)

URL: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u456695.shtml

Congresso deixa de lado pacote da segurança pública (por que? não temos direito à Segurança?)

URL: http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=25604

PT infla dados do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (direito constitucional à moradia esta inflado... e não sai do papel)
http://www1.folha.uol.com.br/poder/768179-pt-infla-dados-do-programa-habitaci...

Fome diminui, mas ainda atinge 35% dos brasileiros (Direito constitucional a alimentação, 35 % ainda não tem ele?)
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=33404&cod_ca...

Mais de 40% dos brasileiros avaliam serviços do SUS como regulares (Direito a Saúde são regulares para 40% e para os outros 60%?)

URL: http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/mais-de-40-dos-brasileiros...

http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=99334

Brasil fica no 88º lugar em ranking de educação da Unesco (Direito a Educação esta em baixa?)
http://www1.folha.uol.com.br/saber/882676-brasil-fica-no-88-lugar-em-ranking-...

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2011/03/perda-com-burocracia-chega-26-...

http://www.freesound.org/samplesViewSingle.php?id=94104
Sample :: audience laughter.wav
http://creativecommons.org/licenses/sampling+/1.0/

Costa do Marfim: milhares de refugiados fogem para a...

Crise na Costa do Marfim já deixou 350.000 desabrigados

Nesta terça, 4 pessoas foram mortas após participar de um protesto em Abidjã

Manifestantes protestavam contra a morte de sete mulheres na semana passada e contra Gbagbo

Manifestantes protestavam contra a morte de sete mulheres na semana passada e contra Gbagbo (Sia Kambou/AFP)

Ao menos 350.000 pessoas tiveram de deixar as suas casas na Costa do Marfim em meio aos conflitos entre os partidários e os opositores do presidente Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder, apesar de ter perdido as últimas eleições. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Também nesta terça, soldados abriram fogo contra civis, matando pelo menos quatro pessoas após um protesto contra a morte de sete mulheres durante uma outra marcha na última quinta-feira.

O conflito aconteceu na região central da Abidjã, sede do governo. Centenas de pessoas participavam da manifestação convocada para o Dia Internacional das Mulheres e muitas aproveitaram para protestar contra Gbagbo. De acordo com os jornalistas que cobriam a passeata, o ato ocorria de maneira pacífica, até que tiros foram ouvidos no local. Segundo testemunhas, os disparos partiram de soldados do governo. Três homens e uma mulher morreram. “Dois chegaram mortos e dois morreram na clínica devido aos seus ferimentos”, disse um médico que não quis se identificar à rede britânica BBC.

Gbagbo recusa-se a deixar o poder, mesmo após a comissão eleitoral do país declarar o líder da oposição, Alassane Ouattara, o vencedor do pleito realizado em 28 de novembro de 2010. Cerca de 400 pessoas já morreram desde então, a maior parte delas civis que votaram em Ouattara.

Reações - A violência registrada nesta terça-feria contra a marcha das mulheres provocou reações internacionais. O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido para a África, Henry Bellingham, chamou o incidente de "um ato deplorável e covarde contra manifestantes desarmados que pediam que os resultados da eleições presidenciais fossem respeitados." A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também divulgou comunicado contundente no qual afirma que "Gbagbo e suas forças mostraram extremo desrespeito à vida humana".

(Com Agência Estado)

Silêncios que falam

Silêncios que falam

Líderes de esquerda e progressistas precisam gritar pela liberdade
Desde quando vivi de muito perto a experiência da “revolta dos estudantes” de maio de 1968 em Paris, comecei a duvidar das teorias que aprendera sobre as mudanças sociais no mundo capitalista.
Essas estavam baseadas na visão da História como uma sucessão de lutas entre as classes sociais visando ao controle do Estado para, por intermédio dele, seja manter a dominação de classes, seja destruir todas elas e construir a “sociedade do futuro” sem classes e, portanto, sem que os partidos tivessem função relevante.
A qual seria crucial, na visão dos revolucionários do século XX de inspiração leninista, apenas na “transição”, quando se justificaria até mesmo a ditadura do proletariado, exercida pelo partido.
Pois bem, nas greves estudantis da Universidade de Paris, em Nanterre e na Sorbonne (assim como nos campos universitários americanos, com outras motivações) que acabaram por contaminar a França inteira e repercutiram pelo mundo afora, vi, perplexo, que as palavras de ordem não falavam em “anti-imperialismo” e só remotamente mencionavam os trabalhadores, mesmo quando esses, atônitos, entravam nos auditórios estudantis “ocupados” pelos ativistas jovens.
Falava-se em liberdade, em ser proibido proibir, em amor livre, em valorizar o indivíduo contra o peso das instituições burocratizadas, e assim por diante. É verdade que nas passeatas havia bandeiras negras (dos velhos anarquistas) e vermelhas (dos bolcheviques). Faltavam os símbolos do novo e mais, na confusão ideológica geral, pouco se sabia sobre o que seria novo nas sociedades, isto é, nas estruturas sociais, do futuro.
Por outro lado, o estopim da revolta não foram as greves trabalhistas, que ocorreram depois, nem choques no plano institucional, mas pequenos-grandes anseios de jovens universitários que, como em um curto-circuito, incendiaram o conjunto do país.
Só que, logo depois, De Gaulle, vendo seu poder posto à prova, foi buscar apoio nos paraquedistas franceses sediados na Alemanha e, com a cumplicidade do Partido Comunista, restabeleceu a antiga e “boa” norma.
Por que escrevo essas reminiscências? Porque desde então o mundo mudou muito, principalmente com a revolução informática. Crescentemente as “ordens estabelecidas” desmoronam sem que se perceba a luta entre as classes.
Foi assim com o desmoronamento do mundo soviético, simbolizado pela queda do Muro de Berlim. Está sendo assim hoje no Norte da África e no Oriente Médio.
Cada vez mais, em silêncio, as pessoas se comunicam, murmuram e, de repente, se mobilizam para “mudar as coisas”. Nesse processo, as novas tecnologias da comunicação desempenham papel essencial.
Até agora, ficaram duas lições. Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno podem se desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida à distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes.
Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo e nem mesmo de consignas, mas de reações racional-emocionais de indivíduos.
Aparentemente isolados, estão na verdade “conectados” com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem, ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias.
Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado, de repente, mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido.
Mas ficou também a outra lição: a reconstrução da ordem depende de formas organizacionais, de lideranças e de vontades políticas que se expressem de modo a apontar um caminho. Na ausência delas, volta-se ao antigo — caso De Gaulle — ou, na iminência da desordem generalizada, há sempre a possibilidade de um grupo coeso e nem sempre democrático prevalecer sobre o impulso libertário inicial.
Noutros termos: recoloca-se a importância da pregação democrática, da aceitação da diversidade, do direito “do outro”.
Talvez seja este o enigma a ser decifrado pelas correntes que desejem ser “progressistas” ou “de esquerda”. Enquanto não atinarem ao “novo” nas circunstâncias atuais — que supõe, entre outras coisas, a reconstrução do ideal democrático à base da participação ampliada nos circuitos de comunicação para forçar maior igualdade —-, não contribuirão para que a cada surto de rebeldia em sociedades tradicionais e autocráticas surjam de fato formas novas de convivência política.
Agora mesmo, com as transformações no mundo islâmico, é hora de apoiar em alto e bom som os germens de modernização, em vez de guardar um silêncio comprometedor. Ou, pior, quebrá-lo para defender o indefensável como Hugo Chávez ao dizer “que me conste, Khadafi não é assassino”.Ou como Lula, que, antes, chamou-o de “líder e irmão”!
Para não falar dos intelectuais “de esquerda” que ainda ontem, quando eu estava no governo, viam em tudo que era modernização ou integração às regras internacionais da economia um ato neoliberal de vende-pátria.
Exigiam apoio a Cuba, apoio que não neguei contra o injusto embargo à ilha, mas que não me levou a defender a violação de direitos humanos.
Será que não se dão conta que é graças ao maior intercâmbio com o mundo — e principalmente com o mundo ocidental — que hoje as populações do Norte da África e do Oriente Médio passam a ver nos valores da democracia caminhos para se libertarem da opressão?
Será que vão continuar fingindo que “o Sul”, nacional-autoritário, é o maior aliado de nosso desenvolvimento, quando o governo petista busca, também, maior e melhor integração do Brasil à economia global e ao sistema internacional, sem sacrifício dos nossos valores mais caros?
Há silêncios que falam, murmuram, contra a opressão. Mas há também silêncios que não falam porque estão comprometidos com uma visão que aceita a opressão. Não vejo como alguém possa se imaginar “de esquerda” ou “progressista” calando no momento em que se deve gritar pela liberdade.

Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República

Apresentadora Fala a Verdade sobre o Carnaval Brasileiro

Apresentadora de TV Rachel Sheherazade sobre a industria carnavalesca.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Posse do ministro Luiz Fux


LUIZ FUX E A INJUSTIÇA DA LEI

03/03/2011

Quando eu produzi meu comentário em vídeo abordando o discurso de Luiz Fux no Senado Federal, ele que havia sido recém nomeado para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal – STF (Luiz Fux rasga a Constituição), em face do conjunto de manifestações que recebi, com opiniões a favor e contra ao que eu disse, fiquei em duvida se eu havia feito o certo ao levar a público mais amplo a minha modesta opinião e se, eventualmente, eu poderia ter cometido uma injustiça com aquele alto magistrado. Minha opinião é, para dizer o mínimo, forte, isso porque vi no ministro o representante de certas correntes do Direito que querem fazer do Poder Judiciário um instrumento de igualdade social, com cada juiz legislando segundo sua idiossincrasia igualitarista a partir do caso em julgamento. Essas correntes não querem mais a igualdade de todos perante a lei, mas sim, a igualdade por força do Judiciário, à espera que o sistema jurídico seja devidamente moldado para que a lei determine, por sua própria força, a igualdade de fato.

Enquanto a lei não muda, mudaram os juízes, que a ignoram solenemente.

Essa visão contraria tudo que a tradição consagrou em matéria de lei e de Justiça. Vemos agora no mundo árabe os estertores de um sistema que anseia por aquilo que ansiava o Ocidente antes de Platão e de Aristóteles e da consagração da visão cristã como verdade universal. A maior conquista da civilização – a igualdade de todos perante a lei – precisou de milênios para ser implantada e o marco constitucional foi o primeiro passo para isso. Basta lembrar que, na esteira dessa suprema conquista, que ressoa as palavras do Apóstolo Paulo ao dizer que “Deus não faz acepção das pessoas”, é que o Ocidente se livrou da escravidão e de outras odiosas desigualdades instituídas juridicamente pelo nascimento. Os sofridos povos árabes ora em convulsão lutam ainda por uma mísera constituição, que separe as funções do chefe de Estado e da religião, fazendo assim imperar a lei. O morticínio da Líbia faz-nos lembrar que no Ocidente muito sangue foi também derramado para que essa excelsa conquista finalmente viesse moldar as instituições.

A igualdade de todos diante da lei não é nenhuma ninharia e reflete a expressão jurídica que tem base teológica e filosófica do mais alto vigor. Essa visão, que terá tido no século XIX o seu ponto mais elevado de respeito e aplicação, foi pouco a pouco se deteriorando com a infiltração marxista, levada a cabo mediante autores como Grasmsci, Rawls e Bobbio (o primeiro contido nos dois últimos), marcando profundamente o Direito da segunda metade do século XX para cá. Abandonou-se paulatinamente a tradição greco-cristã em matéria jurídica e se transformou o Poder Judiciário em instrumento da luta de classes, como se fosse um mero aparelho ideológico. Ao juiz, agora tornado comissário militante, caberia supostamente corrigir as desigualdades naturais e interpretar e aplicar a lei não de acordo com sua letra, abandonando o princípio da igualdade, mas dando peso diferente às partes, de acordo com os princípios marxistas. A magistratura virou instrumento para transformar os naturalmente desiguais em iguais por força de decisão judicial, deixando de lado o princípio constitucional mais precioso. A praga esparramou-se no Brasil, mas de forma alguma está restrita ao nosso país. É universal.

Na prática, essa visão da magistratura restaura o roubo estatal, a rapina injusta nas sentenças exaradas, o favorecimento injustificado de demandantes contra o espírito igualitário da Constituição. Voltamos ao ponto de partida, em que o perigo da escravidão forçada pelo arbítrio, não apenas contra a propriedade privada, esteio da liberdade, mas também contra a liberdade enquanto tal. Quantos injustamente pagam sem dever, tendo sido apenados por força da ignorância e da má fé de juízes militantes?

Vi que não fugi à verdade e nem fui injusto com Luiz Fux no vídeo citado. Na edição de hoje da Folha de São Paulo o nobre magistrado reafirmou a sua visão de mundo (Nós, os juízes), em texto que é um misto de auto-elogio biográfico e de chamamento aos pares magistrados, de todos os níveis, para essa ação deletéria de quebrar o princípio da igualdade diante da lei. A surpresa não é que a ação aconteça – bem sabemos que ela ocorre cotidianamente nos tribunais, com o consentimento tácito da mais alta hierarquia; a surpresa é um ministro do STF colocar a tese com todas as letras em um jornal de grande circulação, contrariando formalmente a Constituição Federal.

Luiz Fux escreveu: “Os juízes têm amor à justiça: enfrentam diuturnamente com a espada da deusa Têmis o conflito entre a lei e o justo, tratam os opulentos com altivez e os indigentes com caridade”. Reconheço haver um conflito entre a lei e o justo, pois nas últimas décadas nosso marco jurídico tem sido violentado pela sanha igualitarista dos marxistas, que dominaram o Congresso Nacional, mas, ainda assim, não é da competência do Poder Judiciário não reconhecer uma lei legitimamente aprovada de acordo com os ritos constitucionais. Se há injustiça não é por causa do princípio da igualdade, mas porque os legisladores abandonaram o Direito Natural no momento da feitura do marco legal. Com qualquer que seja o vício, se a lei é constitucional e considerada apta, compete ao magistrado exclusivamente a sua aplicação. Eles não podem selecionar aquilo que é matéria para o caso apenas para supostamente favorecer a parte tida como mais fraca. Discutir o processo legislativo e a equidade da lei é assunto privativo de outros poderes.

Criar antinomias entre a lei e o justo é flertar perigosamente com o relativismo jurídico nefasto, que pode levar à insegurança dos contratos e das relações cotidianas entre as pessoas. É fazer das sentenças múltiplas expressões de arbitrariedades e de preconceitos. É transformar os tribunais em antros fabricadores de hediondas injustiças. A administração ordinária da Justiça torna-se assim uma loteria diabólica.

A fé marxista e igualitarista de Luiz Fux está plenamente expressa nas seguintes palavras: “Nesse mister, assemelhado às atividades sacras, cumpre ao juiz substituir o falso pelo verdadeiro, combater o farisaísmo, desmascarar a impostura, proteger os que padecem e reclamar a herança dos deserdados pela pátria.” O sagrado, para Luiz Fux, é o revolucionário. A negação de qualquer sacralidade do Direito, portanto, exatamente o contrário do que canta a sua retórica. Definir quem são os deserdados pela pátria será tarefa de um magistrado? Vê-se o perigo da elasticidade desses conceitos arbitrários.

O fecho do artigo é a convocação dos “companheiros” magistrados para a ação direta (termo de triste memória para quem se lembra da história do século XX, que teve no povo judeu suas vítimas superlativas): “Senhores juízes brasileiros! Lutem incessantemente pelos seus ideais, porque eu, nessas horas que antecedem a minha posse, acredito que a vida é feita de heroísmos”. Tremo de pensar nas ações heróicas de justiceiros judiciais.

Coletiva - Corte do Orçamento

Pede para sair, Mantega!



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O Brasil todo acordou para o que está acontecendo na economia, à exceção aparente de uma pessoa: justamente aquela que comanda o Ministério da Fazenda. Editoriais dos mais importantes jornais, reportagens, artigos, todos têm mostrado que a inflação é uma ameaça e que os cortes nos gastos públicos são uma necessidade urgente. O presidente do FMI falou em “superaquecimento”, o IBGE divulgou um crescimento muito acelerado da demanda doméstica no quarto trimestre de 2010, as projeções de inflação para 2011 já sinalizam ficar fora da meta do Banco Central, mas a ficha parece ainda não ter caído para Guido Mantega.

Em seu excelente artigo de hoje no GLOBO, o professor de economia da PUC, Rogério Werneck, mostra que o ministro insiste em fazer malabarismos, negando-se a aceitar que o problema inflacionário decorre dos excessos fiscais e monetários de 2010. Segundo Werneck, duas possibilidades existem para a negação do ministro: 1) sua verdadeira visão equivocada de macroeconomia, respaldada por declarações do próprio ministro, que parece acreditar que gastança pública e crédito turbinado não causam pressão inflacionária; 2) o custo político que existiria caso ele fizesse um mea culpa e reconhecesse que os problemas atuais foram plantados pela sua própria gestão durante o governo Lula.

Independente da causa, o fato é que Mantega insiste em negar o óbvio: a economia brasileira corre o risco de sair do trilho se cortes efetivos nos gastos públicos não ocorrerem. O governo Lula, com Mantega no ministério, abusou da irresponsabilidade fiscal, e os bancos públicos injetaram muita liquidez no sistema. O governo Dilma, com Mantega no ministério, anuncia “cortes” tímidos no Orçamento, que na verdade ainda representa aumento de gastos públicos no ano. E não satisfeito, o governo capitaliza o BNDES em R$ 55 bilhões para turbinar ainda mais o crédito, sem falar de outros aumentos de gastos, como o Bolsa Família e novas contratações. O governo está brincando com fogo. E, por não fazer o que deve ser feito, já fala em aumento de impostos, sobre uma das maiores cargas tributárias do mundo em desenvolvimento.

Creio que, diante das evidências, pode-se concluir, parafraseando um metalúrgico que se tornou um rico garoto-propaganda de grandes empresas: “Nunca antes na história deste País” alguém tão medíocre ocupou cargo tão poderoso.

sábado, 5 de março de 2011

Salário mínimo do Brasil é um dos piores do continente

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/856875-salario-minimo-do-brasil-e-um-dos...

Apesar dos sucessivos aumentos acima da inflação até o ano passado, o poder de compra do salário mínimo no Brasil ainda é um dos piores da América Latina, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Os dados se referem a 2009 e consideram 24 países latino-americanos. Segundo a organização, o mínimo no Brasil é o 16º na lista (com poder de compra equivalente a US$ 286, o que corresponderia ontem a R$ 483).

O valor é inferior, por exemplo, ao dos mínimos de Honduras, Paraguai e El Salvador.

A paridade do poder de compra (ou PPC) é um medidor do custo de vida de um país que busca relativizar as diferenças de ganhos.

http://www.dieese.org.br/rel/rac/salminMenu09-05.xml

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2011/02/03/interna_...

http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/02/09/alckmin-anuncia-minimo-...

César Maia diz que Tiririca foi "esperto" ao errar voto
http://www.band.com.br/jornalismo/brasil/conteudo.asp?ID=100000401273

http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/824771-dilma-preve-salario-m...

Reajuste do Legislativo poderia elevar salário mínimo em R$ 8
http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=366

Tiririca vota pelos R$ 600; veja a lista completa
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=36116&cod_ca...

Deputados da base que votaram contra o governo
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=36120&cod_ca...

Reajuste do mínimo fará 12% das prefeituras infringirem LRF
http://www1.folha.uol.com.br/poder/877410-reajuste-do-minimo-fara-12-das-pref...

56 anos separam mínimo de salário de parlamentar

Quem ganha piso de R$ 545 por mês terá de trabalhar mais de meio século para alcançar o salário anual de um deputado ou senador. Por mês, cada congressista recebe o equivalente a quatro anos de salário mínimo
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_publicacao=36105&cod_ca...

'Fiel', PMDB cobra cargos em bancos oficiais
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,fiel-pmdb-cobra-cargos-em-bancos-...

Governo já avalia como punir deputados infiéis
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,governo-ja-avalia-como-punir-depu...

STF prevê 'debate quente' sobre mínimo por decreto
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,stf-preve-debate-quente-sobre-min...

Estupidez constitucional
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110221/not_imp682226,0.php

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

(...) IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

***

http://www.freesound.org/samplesViewSingle.php?id=94104
Sample :: audience laughter.wav
http://creativecommons.org/licenses/sampling+/1.0/

Charge final autorizada de Roque Sponholz:
http://www.sponholz.arq.br/