domingo, 12 de fevereiro de 2012

As raízes anti-humanas do movimento ambientalista

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O novo socialismo
Em todo o mundo, os marxistas estão se juntando ao movimento ambientalista.  Algo que não é nada surpreendente, diga-se de passagem: o ambientalismo também é uma utopia coerciva — uma tão impossível de ser atingida quanto o socialismo e tão destrutiva quanto, em seu processo de implementação.
Um século atrás, o socialismo havia vencido.  Embora Marx já estivesse morto e Lênin ainda fosse apenas um escrevinhador frustrado, a doutrina de ambos era a vitoriosa simplesmente porque ela controlava algo mais importante do que governos: ela detinha o monopólio das virtudes morais.
O socialismo representava, diziam eles, a fraternidade dos homens na forma econômica.  Essa era a maneira mais aveludado de levar as pessoas para o gulag.
Atualmente estamos enfrentando uma ideologia tão impiedosa, cruel e messiânica quanto o marxismo.  E assim como o socialismo de cem anos atrás, a atual ideologia também é detentora de todas as virtudes morais.  Não se trata de uma fraternidade dos homens, já que vivemos em tempos pós-cristianismo; trata-se da fraternidade dos bichos e das árvores.  Como o socialismo, o ambientalismo combina uma religião ateísta com um estatismo virulento.  Existe, porém, uma diferença básica entre ambos: o marxismo ao menos fingia ter alguma preocupação com seres humanos; já o ambientalismo é saudoso do ímpio, desabitado e tedioso Jardim do Éden.
Se essas pessoas fossem apenas cultistas excêntricos, do tipo que compram acres e acres de matas inóspitas para lá viverem como primitivos, não estaríamos ameaçados.  O problema é que eles querem utilizar o estado, e até mesmo um estado mundial, para atingir seus objetivos e nos obrigar a viver exatamente o estilo de vida que cultuam.
Como Marx e Lênin, eles são herdeiros de Jean Jacques Rousseau.  Os cantos de glória proferidos por Rousseau ao estatismo, ao igualitarismo e à democracia totalitária moldaram a esquerda por mais de 200 anos.  Tendo sido um idólatra da natureza e exaltador do primitivo, ele foi também o pai do ambientalismo.
Durante o Reino do Terror, os rousseaunianos constituíram aquilo que Isabel Paterson chamou de "humanitários com guilhotinas".  Hoje estamos lidando com coisa pior: arvoritários com pistolas.

A religião antiga
Os antigos pagãos viam deuses na natureza selvagem, nos animais e no estado.  O ambientalismo moderno compartilha dessa crença, e acrescenta — cortesia daquela influência que mistura elementos hindus, californianos e da Nova Era — um ódio à humanidade e às religiões ocidentais que colocam o homem como o centro da criação.
O ambientalismo também possui raízes no deísmo — o ateísmo prático do Iluminismo —, o qual negava a Encarnação e pregava venerações à natureza.
A ordem natural é superior à humanidade, escreveu o ecologista John Muir há mais de um século, pois a Natureza "nunca perde sua grandeza e nunca se deprava", e o homem é sempre e em todo lugar uma "influência maligna e destruidora".  Portanto, concluiu o odiento Muir, jacarés e outros predadores deveriam ser "abençoados hoje e sempre com suas bocas cheias de homens gritando aterrorizados enquanto são saboreados como uma iguaria fina".
O cristianismo, acrescenta o ecologista Lynn White Jr., "carrega o imenso fardo da culpa" de violar a natureza.  O cristianismo trouxe todos os malefícios ao mundo ao dar a luz ao capitalismo e à Revolução Industrial.
Já que devemos pensar na natureza como sendo Deus, diz William McKibben, autor do best-seller End of Nature, todos os "fenômenos feitos pelo homem" são diabólicos.  Devemos manter a terra como "a Natureza concebeu".  Para punir a profanação do homem, o ecologista Edward Abbey, em seu influente livro The Monkey-Wrench Gang (A Gangue da Chave-Inglesa), exortou que atos terroristas anti-humanos fossem empreendidos em larga escala.  E o grupo de maior crescimento no combate pela libertação da terra da opressão humana, o EarthFirst!, utiliza uma chave-inglesa como símbolo.
Fundada por David Foreman, antigo lobista-chefe da Wilderness Society, o EarthFirst! é um movimento ecoterrorista que pratica a "ecodefesa" e a "ecotagem" (mistura de 'ecologia' com 'sabotagem'), cujos atos vão desde a colocação estratégica de ferrões em árvores (que mutilam os madeireiros), passando pelo vandalismo dos maquinários utilizados para construir estradas até a destruição de pistas de pouso rurais.  Um de seus objetivos proclamados é reduzir a população mundial em módicos 90% — e o grupo já chegou a aclamar a AIDS como sendo de valioso auxílio para seus objetivos.
Em 1990, Foreman ficou preso durante alguns meses após ter tentado explodir torres de transmissão de alta tensão (utilizando, tenho certeza, explosivos ambientalmente saudáveis).  Porém, seu exemplo é poderoso, mesmo entre os supostos não-radicais.  Um dos principais ambientalistas da década de 1990, David Brower — fundador de várias organizações ambientais, como o Sierra Club e o Friends of the Earth (ambas ativas até hoje) — defendia que ruralistas fossem baleados com armas de tranquilizante.  "O sofrimento humano é muito menos importante do que o sofrimento do planeta".
Embora a dizimação da humanidade seja um processo longo e demorado, qualquer ato nessa direção ajuda — e muito.  É possível fazer algo benéfico para a terra como seu último ato de vida.  Como observou o Washington Times, uma edição do jornal do EarthFirst! conclamava todos os doentes terminais a fazerem algo de bom para o planeta.  "Você está terminalmente doente? Alguma doença debilitante?", perguntava o jornal.  "Então não morra se lamuriando; morra detonando! Pratique uma missão eco-kamikaze".
As possibilidades para os doentes terminais são ilimitadas.  Represas estão implorando para ser esfrangalhadas, assim como também as indústrias poluidoras, as matrizes das grandes corporações petrolíferas, as lojas e armazéns de casacos de pele, as fábricas de papel...
Para aqueles com impulsos suicidas, essa pode ser a solução para seus sonhos... Não pule de uma ponte, exploda uma ponte.  Quem disse que dessa vida nada se leva?

 A natureza sem ilusões
Ron James, um líder verde inglês, disse que o nível adequado de desenvolvimento econômico é aquele que ocorreu "entre a queda do Império Romano e a ascensão de Carlos Magno".
"A única maneira de vivermos em harmonia com a Natureza é vivendo em um nível de subsistência", como fazem os animais.
Durante a maior parte da história, a atitude normal dos humanos em relação à natureza foi bem expressa pelos peregrinos, que temiam a "horrenda, desoladora e imensa vastidão da natureza, repleta de bestas e homens selvagens".  Apenas uma sociedade livre, que conseguiu domar a natureza ao longo de várias gerações, nos permite ter uma visão diferente da dos peregrinos.
"Para nós que vivemos sob um céu temperado e na era de Henry Ford", escreveu Aldous Huxley, "a adoração da Natureza vem de maneira absolutamente natural".  Porém, a natureza é "um inimigo contra quem sempre se está em guerra, um inimigo invencível, indomado, indomável, inconquistável e incessantemente ativo" — "há que se respeitá-lo, talvez; deve-se ter um temor salutar em relação a ele; e deve-se sempre dar continuidade à luta interminável".
Acrescentou Albert J. Nock: "Vejo a natureza apenas como um inimigo: um inimigo altamente respeitável, mas um inimigo".
Poucos de nós poderíamos sobreviver na vasta imensidão selvagem e desconhecida de uma floresta por muito tempo.  A natureza não é amigável ao homem.  Nunca foi.  Por isso ela deve ser domada.
No início da década de 1990, visitei uma área de exploração e corte de madeira na região norte de Califórnia.  Não encontrei ambientalistas por lá.  Como comprovam os estudos do próprio Sierra Club, ambientalistas são tipos de classe alta, gente chique que mora em regiões como Manhattan e Malibu, rodeadas de todos os confortos que apenas o capitalismo pode dar.  Ambientalistas não moram no meio de árvores e madeiras.  Quem mora, não tem nenhuma ilusão quanto à bondade da deusa Gaia.
Madeireiros bem sabem que a própria existência da humanidade depende da subjugação da natureza, a qual deve ser constantemente domesticada e adaptada aos nossos conformes.  Se algum dia pararmos de fazer isso, as selvas irão reivindicar e retomar nossas cidades.
Esses madeireiros, que formavam um conjunto de 30.000 famílias trabalhadoras, foram dizimados pelas regulamentações governamentais implantadas naquela época, regulamentações essas que proibiam a exploração e o corte de madeiras em milhões de acres apenas para que 1.500 corujas-pintadas não fossem perturbadas, para que elas pudessem continuar vivendo o mesmo estilo de vida com o qual haviam se acostumado.
E se você acha que acabar com a vida de 30.000 famílias em troca da tranquilidade de 1.500 corujas (uma razão de 20 famílias humanas por coruja) é algo um tanto excessivo, isso apenas mostra o quão inculto e não ambientalmente esclarecido você é.
(Nota: se as corujas-pintadas de fato estivessem "em perigo" e os ambientalistas realmente quisessem salvá-las, então eles poderiam simplesmente comprar algumas terras para criar seus próprios santuários.  Porém, utilizar dinheiro próprio é algo que, de alguma forma, nunca teve apelo entre essa gente.)


Os nazistas foram pioneiros
Sempre soubemos que, em termos econômicos, os nazistas eram esquerdistas (Nazi vem de Nationalsozialismus ou Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), mas hoje — graças aos estudos de Robert N. Proctor, que os compilou em seu livro Racial Hygiene: Medicine Under the Nazis (Higiene Racial: a Medicina dos Nazistas) — sabemos que eles eram fanáticos por saúde, maníacos por exercícios físicos, ecologistas radicais, entusiastas de comidas orgânicas e defensores ferrenhos dos direitos dos animais, além de nutrirem profundo menosprezo por álcool e tabaco.
Como os ambientalistas de hoje, que colocam qualquer percevejo ou erva daninha acima dos seres humanos, os nazistas eram ardorosos conservacionistas.  Eles implantaram uma série de leis com o objetivo de proteger "a natureza e seus animais", especialmente as plantas e os animais "ameaçados".
Os nazistas proibiram pesquisas médicas com animais, e o simpático Hermann Göring ameaçou "deportar para um campo de concentração" qualquer um que se atrevesse a desobedecer à lei.  Ele encarcerou um pescador por seis meses apenas porque este cortou a cabeça de um sapo — que seria utilizado como isca — quando o batráquio ainda estava vivo.  A revista alemã de humor Simplissimus publicou um desenho no qual um pelotão de sapos fazia a saudação nazista para Göring.
Como crentes da "medicina orgânica", os nazistas conclamaram o povo alemão a comer apenas frutas e vegetais crus, uma vez que a conservação, esterilização e pasteurização dos alimentos significavam sua "alienação da natureza".
Eles odiavam até mesmo o pão branco.  "Em 1935, o Führer da Saúde, Gerhard Wagner, empreendeu uma luta contra a recente mudança de hábito, que havia abandonado o pão integral natural em prol do pão branco altamente refinado", diz Proctor.  Denunciando o pão branco como sendo um "produto químico", Wagner relacionou a "questão do pão" a uma "ampla necessidade de retornarmos a uma dieta com menos carne e gordura, mais frutas e vegetais, e mais pão integral".
Em 1935, Wagner criou o Comitê do Pão Integral do Reich, cujo objetivo era pressionar as padarias a não mais produzirem pão branco; e Goebbels criou cartazes propagandísticos relacionando o arianismo ao pão integral.  Em 1935, apenas 1% das padarias alemãs vendia alimentos naturais.  Já em 1943, esse percentual era de 23%.
Os nazistas também eram rigorosamente anti-pesticidas, sendo que o médico pessoal de Hitler, Theodore Morell, declarou que o DDT (DicloroDifenilTricloroetano) era "inútil e perigoso".  Ele proibiu sua comercialização.
Os nazistas financiaram várias pesquisas sobre os perigos ambientais da radiação de fundo (radiação fraca existente em todo planeta terra), do chumbo, do asbesto e do mercúrio.  Fizeram campanha contra os corantes alimentares e os conservantes, e exigiram mais uso de "farmacêuticos orgânicos, cosméticos orgânicos, fertilizantes orgânicos e alimentos orgânicos".  Os jornais do governo apontavam a carne vermelha e os conservantes químicos como os culpados pelo câncer.
Bebidas alcoólicas eram diligentemente desestimuladas, e havia severas penalidades para quem fosse pego dirigindo embriagado.  A polícia, pela primeira vez, ganhou poderes para fazer testes sanguíneos obrigatórios para conferir o nível de álcool no sangue das pessoas.
Hitler, um vegetariano fanático e entusiasta dos alimentos naturais, era também um abstêmio.  Heinrich Himmler compartilhava do ódio de Hitler por álcool, e ordenou que a SS promovesse a produção de sucos de frutas e água mineral como substitutos.
Entretanto, o principal ódio de Hitler era dirigido ao cigarro, e ele não tolerava que absolutamente ninguém fumasse em sua presença.  Quando o estado da Saxônia criou o Instituto para a Luta contra o Tabaco na Universidade de Jena em 1942, ele doou 100.000 RM (Reichsmark) de seu próprio dinheiro.  Ele também proibiu o fumo nos trens e ônibus das cidades.
Os nazistas acreditavam apenas em parto natural, obstetrícia e amamentação, e as mulheres que amamentassem seus filhos, ao invés de utilizarem "fórmulas artificiais", recebiam subsídios do estado.  Já em meados da década de 1930, os nazistas haviam proibido partos assistidos por médicos.  Apenas parteiras podiam realizar o serviço.
Os nazistas também promoviam a fitoterapia, e as fazendas da SS em Dachau foram rotuladas como "o maior instituto de pesquisa de plantas medicinais da Europa".
Não é de se estranhar que nossos eco-esquerdistas possuam aquele brilho faiscante em seus olhos.  De agora em diante, vou checar se eles usam braçadeiras também.


A questão do lixo
Se reciclagem fizesse sentido —waterfall_web_environment.jpgeconomicamente, e não como um sacramento para a adoração de Gaia —, estaríamos sendo pagos para tal.
Quando visto sob a devida perspectiva, os problemas que enfrentamos hoje em relação ao lixo não são piores do que foram no passado.  O lixo sempre foi um problema durante toda a história humana.  A única diferença é que, hoje, temos métodos seguros para lidar com ele — caso os ambientalistas nos permitam.
Dizem, por exemplo, que devemos separar jornais para a reciclagem.  E a ideia de fato parece fazer sentido.  Afinal, jornais velhos (isto é, com mais de meia hora de impressão) podem ser transformados em caixas, folhas de fibra, revestimento de parede e material isolante.  O problema é que o mercado está inundado de papel de jornal, graças também aos programas e às propagandas governamentais.  Um caso clássico ocorreu em Nova Jersey, no início da década de 1990.  Por causa do excesso de oferta, o preço dos jornais usados, que estava em US$ 40 a tonelada, despencou para menos US$ 25 a tonelada.  Ou seja: antes, os empreendedores do lixo estavam dispostos a pagar ($40) por jornal velho.  Depois, eles passaram a cobrar ($25) para levar o entulho.
Se for economicamente eficiente reciclar — e jamais poderemos saber ao certo enquanto o governo estiver envolvido —, então o lixo inevitavelmente terá um preço de mercado.  É apenas por meio de um livre sistema de preços, como Ludwig von Mises demonstrou há 90 anos, que podemos saber ao certo o valor de bens e serviços.
O homem das cavernas tinha problemas com o lixo, e o mesmo problema acometerá nossos descendentes.  E tal ciclo perpetuar-se-á enquanto a civilização humana existir.  E o governo não possui a solução para o problema.  Um sistema estatizado de coleta de lixo é inerentemente ineficiente, como podemos comprovar diariamente.  O lixo pode até ser coletado, mas sua destinação certamente não será a mais "ambientalmente saudável".  Um sistema socialista de coleta de lixo funciona exatamente como a economia da Coréia do Norte.
Apenas o livre mercado pode solucionar o problema do lixo, e isso significa abolir não apenas o sistema socialista de gerência do lixo, mas também aquele sistema corporativista (fascista) relativamente mais eficiente que várias prefeituras costumam adotar, no qual uma empresa com boas conexões políticas vence a licitação.
A solução é privatizar e desregulamentar tudo, desde a coleta até os aterros sanitários.  Dessa forma, cada um pagará a fatia apropriada dos custos.  Alguns tipos de lixo serão levados mediante uma taxa, outros serão levados de graça e vários outros poderão inclusive ser vendidos para os coletores.  A reciclagem seria baseada no cálculo econômico, e não no decreto governamental.
Coleta e manuseio de lixo é um serviço como qualquer outro.  Se é verdade que todo mundo quer ter seu lixo removido e tratado, então há uma demanda de mercado para tal serviço.  Há dinheiro a ser feito nessa área.  Caso não houvesse tal interesse, não haveria tantos "coletores ilegais" como vemos hoje.  Com efeito, a única coisa que impede a concorrência no mercado do lixo é exatamente o fato de o estado ter tornado tal atividade ilegal.
Se o mercado estivesse no comando, a produção excessiva de lixo não seria vista como um problema — como vê o governo —, mas como uma oportunidade.  Empreendedores estariam se atropelando para satisfazer a demanda por coleta, assim como acontece em todos os outros setores que são controlados pelo mercado. Será que os fabricantes de sapatos vêem um aumento na demanda por calçados como um problema?  As redes de fast food vêem os glutões como uma terrível ameaça?  Pelo contrário, esses são encarados como oportunidades de lucros.  Da mesmo forma, é muito provável até que o sistema de coleta fosse feito da maneira mais confortável possível para nós, os clientes.
A escolha é sempre a mesma: ou se coloca os consumidores no comando, dando espaço para a propriedade privada e para o livre sistema de preços, ou cria-se um fiasco por meio da gerência governamental.  Sob esse sistema de livre concorrência, até eu vou começar a separar meu lixo.


Aquecimento global
No dia 22 de abril de 1970, celebrou-se o primeiro Dia da Terra, evento criado pelo burocrata Gaylord Nelson, senador do estado de Wisconsin.  Na época, os ambientalistas estavam alarmados com um iminente resfriamento global.  O mundo viveria uma nova era do gelo caso os governos não tomassem providências imediatas.
Recentemente, utilizando praticamente a mesma mensuração, o alerta era sobre a inevitabilidade do aquecimento global.  Como as tendências futuras revelaram-se muito incertas, optou-se então por chamar o "fenômeno" de 'mudanças climáticas' (primavera para verão?), só pra garantir.  Com essa nomenclatura, obviamente, a chance de qualquer previsão dar errado é nula.
Esses são os mesmos climatologistas que não sabem dizer se vai chover na próxima sexta-feira, mas que, por algum motivo, estão certos de que a temperatura da terra estará, em 2031, x graus Celsius mais quente do que hoje.  Níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera irão derreter as calotas polares e as áreas costais serão inundadas.
A solução proposta para conter a mudança climática é, surpresa!, mais gastos e controles governamentais, e um menor padrão de vida para todos.
Entretanto, como já foi inúmeras vezes relatado, não há qualquer evidência de que as mudanças climáticas (outono para inverno?) sejam causadas pelo homem.  E há evidências abundantes de que elas ocorrem ciclicamente, sendo que a hipótese de que o mundo era mais quente na idade média do que é hoje não foi descartada nem por cientistas aquecimentistas.
O fato de não estar havendo aquecimento global tem seu lado triste.  Muitos cientistas concordam que o efeito seria positivo: prolongaria o período de cultivo, tornaria a terra mais habitável e adiaria qualquer futura era glacial.


Animais em extinção
Desde um simples caracol até as plantas parasitas, absolutamente todas as espécies de animais e plantas existentes devem ser mantidas em existência pelo governo — alegam os ambientalistas —, mesmo que direitos humanos e de propriedade sejam violados.  Mas por quê?
Se considerarmos todas as espécies que existiram desde a "criação", a maioria delas, dos trilobitas aos dinossauros, está hoje completamente extinta.  Um processo absolutamente normal.  Por que não permitir que isso continue?
Se, para propósitos científicos ou de entretenimento, algumas pessoas quiserem preservar essa ou aquela espécie em sua própria terra e às suas próprias expensas, ótimo.  Zoológicos e universidades já fazem isso.  Mas o resto da população não deveria ser tributada e regulada, e ter seus direitos de propriedade exterminados, apenas para que todas as ervas e percevejos sejam salvos.  O único impacto ambiental que importa é aquele que ocorre sobre humanos.


A economia do ambientalismo
Uma vez rejeitadas as utopias, e entendido que, por exemplo, 10 milhões de pessoas que vivem numa cidade grande não podem exigir que o ar seja igual ao de uma aldeia de 50 pessoas, podemos então finalmente nos dedicar a resolver os verdadeiros problemas ambientais, utilizando para tal o único mecanismo realmente possível: propriedade privada e sistema de preços.
Quando o sistema de preços funciona livremente, ele garante que oferta e demanda estejam quase sempre em equilíbrio, garantindo que os recursos sejam alocados para seus fins mais produtivos.  Já quando o governo intervém no sistema de preços, ele garante desperdícios, dificulta o empreendimento e empobrece as pessoas.
Se o café — por quaisquer razões — se tornar mais escasso, seu preço subirá, alertando aos consumidores para que bebam menos.  Se mais café entrar no mercado, os preços cairão, avisando aos consumidores que eles podem beber mais.  Preços, portanto, constituem um sistema de preservação de recursos.
Mas os ambientalistas se imaginam capazes — como os planejadores centrais soviéticos — de saber o valor econômico de tudo, sem que para isso tenham de recorrer ao sistema de preços.  Eles sempre alegam que tudo está "acabando", e que, portanto, é necessário que o governo intervenha com vigor e controle o consumo.  Porém, se de fato estivéssemos ficando sem petróleo, por exemplo, seu preço iria disparar, alertando os consumidores para que utilizem menos o mineral, e avisando os empreendedores para que encontrem substitutos.  Quando a oferta de petróleo ficou ameaçada após o início da Guerra do Golfo, foi exatamente isso o que aconteceu.
Tampouco as voluntárias restrições ambientalistas funcionam como o planejado.  Os ambientalistas estão sempre nos dando ordens para que sejamos mais pobres e utilizemos menos água, menos gasolina, menos papel higiênico, etc.  Porém, se eles reduzirem o próprio consumo, isso já diminuiria os preços para o resto dos seres humanos, que consequentemente passariam a poder utilizar mais desses bens.  Os ambientalistas realmente comprometidos com a causa já fazem isso (P.S.: não conte esse segredo econômico para eles; essa abstenção voluntária é o único favor que eles fazem para toda a humanidade).
É quando algo não tem dono, ou seja, quando é de posse de todos, gerido comunalmente — como ar e água —, que vemos todos os efeitos maléficos do socialismo.  As pessoas abusam dos recursos "gratuitos" exatamente porque elas não têm de arcar diretamente com o preço desses recursos.
Para resolver esse problema, qualquer um que for pessoalmente prejudicado, ou ter seus negócios arruinados, pela poluição do ar, por exemplo, deveria ter o direito e o poder de processar o agressor para que ele pare com essa poluição, de modo que o prejudicado seja recompensado pelos estragos sofridos.  Mas desde o século XIX o governo intervém nesse direito consuetudinário, sempre visando ao favorecimento daqueles grupos de interesse mais poderosos, impossibilitando, por exemplo, um fazendeiro de processar uma ferrovia cuja emissão de fagulhas queimou e destruiu seu pomar.
O governo também nacionalizou as orlas e todos os cursos d'água especificamente para facilitar as coisas para os poderosos grupos de interesse industriais.
Se, como ocorre em vários cursos d'água na Inglaterra e em outros países, as pessoas tivessem direitos de propriedade sobre rios que cortam sua propriedade, elas poderiam impedir a poluição destes cursos d'água assim como elas impedem qualquer lixo de ser despejado em suas portas.  E se os pescadores e proprietários de terra tivessem direitos de propriedade sobre a região costeira e as águas adjacentes, eles poderiam impedir a poluição destas e determinar adequadamente os direitos de pesca.  Da mesma forma, petrolíferas que vazassem petróleo no litoral seriam devidamente penalizadas.
A questão das águas, portanto, é fácil de visualizar.  Mas como ficaria a questão do ar?  Há várias maneiras.
Primeiro, qualquer um teria todo o direito de modificar o ar sobre sua propriedade como quisesse, desde que essa poluição não se espalhasse para o ar alheio.  Entretanto, isso seria uma impossibilidade por causa do fluxo de ar.  Logo, teria de haver uma maneira de impedir que essas emissões chegassem ao ar alheio.  E isso é problema para engenheiros.  É lógico que o mercado criaria o aparato específico: pode-se, por exemplo, coletar as emissões em grandes recipientes ou simplesmente criar maneiras de converter as emissões em vapor d'água, o que aliviaria o problema.  Haveria sem dúvida alguma maneira de impedir o agravamento da poluição.  E sabemos que, se houver demanda, propriedade privada e busca pelo lucro, haverá solução.  E o fato é que as emissões seriam significativamente reduzidas em um livre mercado, onde os indivíduos que emitem poluentes estariam sujeitos a uma ação judicial.  A solução de livre mercado é baseada no cálculo racional; a solução estatal é baseada na permissão da poluição para aqueles com boas conexões políticas.
A histeria constante na África em relação às presas de elefante é outro exemplo de falta de propriedade privada.  Se as pessoas pudessem criar elefantes e vender suas presas — como o próprio governo do Zimbábue fez no final de década de 1970, o que gerou um aumento estrondoso do número de elefantes —, a quantia de presas de elefante que haveria seria igual à demanda por elas.  Não haveria preocupações quanto a uma possível escassez desse item, assim como não há escassez de carne de boi, frango ou porco.
O mesmo princípio é válido para todos os outros recursos.  Se não houver propriedade sobre um bem, certamente haverá abusos e malversações.  Porém, se colocado sob propriedade privada, haverá exatamente a quantia necessária: a oferta suprirá a demanda.
Um exemplo de conservação via mercado foi o da empresa Cayman Turtle Farm (um viveiro comercial de tartarugas) nas Ilhas Britânicas do Caribe.  A tartaruga-verde foi considerada em risco de extinção graças à propriedade comunal, que estimulou um excesso de capturas que não levava em conta suas capacidades reprodutoras.  O viveiro privado foi capaz de incubar os ovos e fazer com que os filhotes crescessem e virassem adultos a uma taxa bem maior do que a que ocorria na natureza.  O estoque de tartarugas-verdes, até então em risco de extinção, cresceu para 80.000.
Porém, os ambientalistas odiavam a Cayman Turtle Farm, já que, na visão deles, é algo moralmente condenável obter lucros com animais selvagens.  A empresa foi forçada a fechar as portas, e a tartaruga-verde voltou a ser uma espécie ameaçada — mas sendo muito amada pelos ambientalistas.
Os verdes — como todos progressistas — justificam a intervenção governamental com base naquilo que os economistas chamam de "bens públicos" e "externalidades".
Um "bem público" supostamente é aquilo que todos nós queremos, mas nunca teremos, a menos que o governo nos forneça.  Os ambientalistas alegam que todos querem parques e reservas ecológicas nacionais, mas o mercado não tem interesse em fornecê-los.  Portanto, o governo tem de entrar em cena e suprir e demanda.  Mas como podemos saber, independentemente do mercado, se todos querem parques caros?  Como é possível saber quantos parques todos querem?  E de quais tipos?
(O Instituto Inhotim, em Minas Gerais, é um ótimo exemplo de reserva ambiental privada que atende a demanda dos consumidores por esse "bem público")
Poderíamos até fazer inúmeras pesquisas, mas isso não nos diria nada sobre a intensidade da demanda econômica.  Mais importante: não basta saber que as pessoas querem diamantes, por exemplo.  Tal demanda somente terá algum significado econômico se essas pessoas estiverem dispostas a dar algo em troca para obter esses diamantes.
Incrivelmente, os economistas progressistas e social-democratas nunca desenvolveram um modo de identificar o que realmente são bens públicos.  Consequentemente — e como eles são cientistas objetivos — eles sempre recorrem à intuição.  O exemplo favorito de Paul Samuelson para um bem público era o das torres de farol, até que Ronald Coase demonstrou que empreendedores privados proveram torres de farol durante séculos.
Se compreendermos que somente o mercado pode nos dar informações econômicas, o suposto problema dos bens públicos desaparece.  Na ausência de subsídios e proibições governamentais, ou na falta de concorrência de parques "gratuitos", o mercado irá garantir que tenhamos exatamente o número de parques que as pessoas querem, e pelos quais estão dispostas a pagar.  (Ademais, se os parques nacionais forem vendidos, a dívida pública poderá ser abatida.)
Já uma "externalidade" é um efeito colateral.  O belo jardim do seu vizinho é uma externalidade positiva; o cachorro dele latindo é uma externalidade negativa; o primeiro é uma benção, o último é irritante.  Mas você não comprou voluntariamente nenhuma das duas.
Voltando ao início, os ambientalistas dizem que o lixo é uma externalidade negativa do consumismo.  Logo, eles advogam mais regulamentação e burocracia para resolver o problema.  Entretanto, o livre mercado soluciona tal problema de modo muito mais justo e eficiente por meio dos direitos de propriedade.  Desestatize tudo e as externalidades serão "internalizadas".  Ou seja, os custos ficarão exatamente com aqueles que têm de pagar por eles.
Porém, para os ambientalistas, a prosperidade humana é, em si, uma externalidade negativa.

sábado, 14 de janeiro de 2012

As Drogas e a Liberdade

Vamos a questão das drogas, este é um tema muito sério no caminho magistico.
O uso de plantas de poder é uma coisa.
O uso de drogas químicas é outra coisa.
O uso de plantas de poder fora do contexto profundo do xamanismo é outra coisa ainda.
Precisamos começar delineando isso.
LSD, Cocaína, Heroína, Anfetaminas e outros produtos da indústria química são resultantes de construção química de substâncias que interferem no funcionamento normal de nosso
cérebro e sistema nervoso. Provocam um colapso em nosso sistema nervoso e isto pode levar o primeiro anel de poder e interromper sua atividade ativando o segundo. Entretanto o preço que se paga para isso, vale a pena?
Mas primeiro: Estas entradas fortuitas e descontroladas na segunda atenção nenhum benefício trazem, muito pelo contrario, podem mesmo confundir uma pessoa e criar patologias psíquicas e físicas das mais diversas. As pessoas às vezes estão tão enfastiadas de seu dia a dia, tão perdidas na confusão que se meteram que acabam procurando caminhos de "esquecimento".
É para isso que servem as drogas químicas e o uso da maconha nos meios comuns, as pessoas querem "viajar", querem "esquecer os problemas", querem "ficar livres", mas só isso.
Notem que a proposta xamânica e mágica do uso de plantas de poder é outra. Os (as) xamãs sempre usaram plantas de poder para estar mais amplos, mais conscientes, para ir em busca de visões e sinais, portanto nunca para "fugir" da realidade no sentido de negá-la, mas sim ir além da realidade, no sentido de ampliarem-se.
Segundo ponto inconveniente: Causa males enormes a saúde.
Ora, a prática de caminhadas constantes, de exercícios físicos, de uma alimentação sadia, dos exercícios de Tensigridade ou similares tem como objetivo fortalecer o corpo, os (as) xamãs insistem que precisamos estar saudáveis para o que vamos realizar no mundo do poder, que o corpo deve estar forte e flexível, que precisamos de "vísceras de aço".
É então total contra senso fazer uso de substâncias que destroem a saúde com a pretensão de provocar estados visionários, estados cheios de ilusão que servem aos que tem preguiça e não querem de fato transcendência, mas só algum "agito" a suas vidas rotineiras.
Eu tenho uma pesquisa vasta sobre o tema, coisa que ainda está em andamento e pretendo publicar um dia minhas conclusões sobre esta questão que não é algo simples nem superficial, pois o grau de consumo de drogas na nossa sociedade é impressionante e o mais preocupante, grande parte das pessoas que entram nesse caminho são justamente as pessoas com mais energia e mais potencialidades num grupo.
Já notaram isso?
As pessoas mais brilhantes e interessantes de um grupo social acabam entrando nestes caminhos e  em grande parte acabam tendo efeitos que mexem com toda a vida delas.

A pergunta é: Que futuro vão ter? Em termos de saúde psíquica e física?

Noto como é inócuo e quase ineficiente toda a campanha oficial de combate as drogas, pois os que tem a tendência para usar criam barreiras a quaisquer doutrinações e cada pessoa que vem falar contra já é catalogado como careta e os ouvidos se tornam moucos a seus
argumentos.

Vem a questão colocada por Gurdjieff: Temos que ter consciência para ampliá-la.

A maconha que as pessoas fumam é plantada num lugar ilegal, colhida por pessoas que tem como única meta: ganhar dinheiro; é traficada por gente que usa da violência como expediente normal.
Que energia estava impregnada nesta planta que usam?

Assim o uso indiscriminado, para apenas "viajar" que muitos fazem uso de tais substâncias revela que nestes casos não estamos lidando com uma abordagem de "poder" de tal planta, mas apenas mais um sintoma de uma sociedade em crise, em desagregação, em decadência que corrompe tudo que toca.

Temos assistido a desvirtualização do uso do Runipan, que chamam de Ayahuasca, com o cacto de São Pedro, com o Peyote e tantas outras plantas de poder que agora são usadas por grupos de pessoas que pretendem um "transe" coletivo, que anseiam por sair desta realidade consumista e degradante, para a qual, no entanto voltam sempre que o efeito da planta passa. Se olharmos com atenção para tais pessoas e grupos notamos que apenas se enchem com mais ilusão e fantasia e assim tornam ainda mais difícil o caminho da Liberdade.
Este o principal problema com o uso de plantas de poder, usá-las e não aproveitar nada o seu efeito, as experiências que sob ela experimentamos.
E aí vamos mais longe.
É necessário o uso de plantas de poder?
A resposta não é simples, depende de cada pessoa.
Para algumas pessoas o uso é necessário, até indispensável, para outras é completamente dispensável e existem aquelas que nunca podem fazer uso de tais plantas, sob pena de se confundirem ou mesmo ficarem muito doentes.
Cada caso é um caso e não podemos generalizar.

Mas estamos falando de xamanismo e magia, portanto, vamos deixar claro:
Que uso de substâncias químicas não tem nada a ver com xamanismo, substâncias químicas são resultantes de experiências desta época, que tentam imitar o efeito das substâncias naturais encontradas nas plantas, mas sem o "poder”.

Cocaína, por exemplo, é chamada por muitos de Maldição Inca, segundo alguns xamãs a cocaína está atacando o próprio sistema explorador que domina os povos, o número de
executivos que só vive a poder de coca é espantoso.
Para muitos é uma antiga maldição dos povos andinos atingindo os modernos conquistadores.

O uso de remédios deve se enquadrar nesta classe de tóxicos.
Se tu trilhas um caminho xamânico e usa remédios químicos a todo instante, um simples Anador, Melhoral ou Aspirina, pode ter certeza que seu corpo está intoxicado e que tu estás usando drogas.
Se vamos ser precisos em nossa avaliação temos que passar por aí. Remédios químicos para o organismo têm o mesmo efeito que a coca ou heroína para o campo psíquico.
As drogas farmacológicas viciam o corpo, quanto mais se usa um remédio, doses mais fortes precisam ser usadas.

O xamanismo é um caminho natural, assim os (as) xamãs mantêm seus corpos saudáveis por efeito do uso de ervas e terapias naturais.
Se tens um armarinho de remédios que deixa com inveja muitas farmácias, se dependes de remédios químicos, quaisquer que seja, estás no caso dos viciados em drogas químicas.
O uso sistemático de remédios  químicos revela  um problema tão grande quanto o uso de drogas químicas.
Destroem as defesas naturais do corpo (crescem as correntes entre epidemiologistas que associam a AIDS a um problema muito mais sistêmico que a simples presença do vírus, aliás em toda doença o agente tido como infeccioso é sempre um aproveitador, que entra quando o organismo por causas diversas entrou em colapso).

Portanto, vamos aproveitar o tema "drogas" e definir muito bem o que são drogas:
Drogas são todas as substâncias que agindo sobre o corpo provocam alterações metabólicas que podem imitar o comportamento natural do corpo, mas agem causando dependência e destruição orgânica.
Existem as drogas que atuam sobre a percepção, chamadas de psicodélicas, que os modismos da era hippie e a apologia de certos escritores e artistas fizeram parecer ser "chique", da "moda", "moderno", usá-las.

A necessidade do transe é comum a todas as culturas, os cultos antigos sempre fizeram uso de plantas alucinógenas para induzir estados de realidades não comuns aos praticantes. Entretanto a forma pela qual isso era feito, a maneira pela qual tais ritos são conduzidos muda tudo.

Fato: A maioria das pessoas que usam drogas se dão mal, mais cedo ou mais tarde. Basta observar, ou estas pessoas "saem da estrada" ou acabam se destruindo. Fora os casos que as pessoas se destroem tanto enquanto singularidades que se tornam incapazes de sair por si, engrossando as fileiras das igrejas fundamentalistas, deixando de consumir drogas químicas para consumir drogas ideológicas, que as tornam dependentes, heterônomas, mas ao menos "produtivas para o sistema".
Aliás, esse fator é muito sério.
O sistema tem uma relação muito dúbia com o problema das drogas e só o ataca quando o consumo se torna problema para a "produtividade" do individuo.

Mas proibir nunca foi forma de resolver nada, será que não aprendemos nada com a história? Proibir é sempre uma forma de criar uma aura em torno do que foi proibido que mais atiça a curiosidade.
Eu sou a favor da descriminalização da maconha justamente por isso.
É como o caso da carteira de motorista com 16 anos.
Todo mundo dirige com esta idade, mas o fato de proibir cria um problema ainda maior, tenho vários casos conhecidos de acidentes até fatais, com menores dirigindo, que se acidentaram ao fugir da polícia. Negando o fato, que menores pegam o carro e dirigem, estamos apenas criando um problema maior.
A maconha como está hoje colocada, como crime, acaba levando os usuários a se identificarem com a marginalidade. Isso é muito sério, temos que  tomar cuidado com esta aura ainda meio "romântica" que cerca o submundo do crime organizado. É muito perigoso o que está acontecendo, quando o traficante se torna herói e a polícia se parece tanto com o criminoso que julga combater que fica difícil saber de quem correr.
Quando jovens são chantageados, levam tapas, apanham mesmo, são desmoralizados por policiais quando flagrados usando maconha? Isto acontece sempre e isto cria uma maior
identificação destes jovens com o mundo do crime que com o mundo do contrato social que vivemos.
E viver em sociedade exige um contrato social.
A lei e a justiça tem seus defeitos, tem seus problemas, mas vivemos num Estado de Direito e isto é deveras importante de ser mantido.
Vá viver numa favela, em guerra entre gangues, para saber o quão é inconseqüente toda idéia que toda autoridade é vã e deve ser suprimida. Quando estamos no mundo do crime organizado não há lei, a vontade caprichosa de alguns se impõe, a vontade imposta pela força, pelo poder e a morte de quem não concorda.
Não vamos ser ingênuos e crer que nosso sistema legal é algo bom e puro, mas ao menos, no estado configurado, no estado de direito, temos instrumentos para uma ação política e a política é o espaço público nas conformidades da lei, uma lei que é gerada pela necessidade da sociedade, onde a vontade caprichosa de grupos ou indivíduos não pode ser mais forte.
Sabemos que ainda não estamos dentro disto 100%, mas o caminho é por aí.

Temos que notar que quando falamos de xamanismo estamos lidando com uma abordagem completamente diferente da realidade, uma abordagem que nada tem a ver com os
paradigmas dessa sociedade na qual estamos inseridos.
Lidar com outros estados de consciência não faz parte do que a sociedade cotidiana aceita ou lida.
As linhas psicológicas e psicanalíticas ortodoxas tratam todos os estados diferentes de consciência como patológicos, exceção para psicologias mais arrojadas, porém pouco
aceitas, como a transpessoal.
Ainda temos alguns resquícios da inquisição em nosso tempo, os hospícios são um deles.
Assim entrar em outros estados de consciência não é algo que pode ser encarado de forma superficial como tudo o mais que acontece nesta sociedade.

É um tema amplo e sério, mas é bom começar a distinguir que o xamanismo é um caminho de liberdade, assim tudo que limita, que escraviza, que gera dependência, que destrói não pode ser um caminho xamânico e mágico.

Pela liberalização das drogas
A guerra estatal contra as drogas, assim como a Guerra Contra a Pobreza ou a Guerra Contra o Terror, é um fracasso abjeto.  Ela atravanca o sistema judiciário, incha desnecessariamente a população carcerária, estimula a violência, corrompe a polícia, corroi as liberdades civis e acaba com a privacidade financeira.  Ela também estimula buscas e apreensões ilegais, arruína inúmeras vidas, desperdiça centenas de bilhões em impostos, obstrui o avanço de técnicas de tratamento medicinal e não produz impacto algum no uso ou na disponibilidade das drogas.
Como consequência dessa fracassada guerra, gente oriunda de todos os lados do espectro ideológico já começou a clamar - em modo e intensidade nunca antes vistos - por algum grau de descriminalização ou legalização.
Um recente exemplo disso é o filósofo político britânico John Gray .  Em um artigo intitulado "O Argumento a Favor da Legalização de Todas as Drogas é Irrefutável ", Gray faz uma forte defesa da descriminalização total das drogas.  A guerra mundial contra as drogas deveria ser abolida porque:
  • A guerra às drogas já mutilou, traumatizou ou desalojou um incontável número de pessoas.
  • Apesar disso, o uso de drogas permanece entranhado em nosso modo de vida.
  • Os custos incorridos pela proibição das drogas já excederam enormemente qualquer possível benefício.
  • Penalizar o uso de drogas acaba por levar pessoas que em outro contexto seriam cumpridoras da lei à economia do submundo.
  • A proibição expõe os usuários de drogas a enormes riscos de saúde.
  • Drogas ilegais não podem ter sua qualidade e toxicidade facilmente testadas.
  • Inúmeros usuários de drogas viveram vidas produtivas em épocas passadas antes das drogas serem proibidas.
  • Os usuários de drogas têm de lidar com preços inflacionados, riscos de saúde e a ameaça de cadeia.
  • Políticos que já utilizaram drogas não sofreram qualquer tipo significativo de efeito colateral em suas carreiras.
  • Os enormes lucros obtidos com as vendas de drogas ilegais corrompem instituições e destroem vidas.
  • A cruzada antidrogas recentemente iniciada pelo governo do México acabou se agravando e se transformando em uma miniguerra. (Pense no Rio de Janeiro).
  • Alguns estados já foram, de uma forma ou de outra, inteiramente capturados pelo dinheiro das drogas.
Ele também poderia ter falado, como vários outros já o fizeram, que certas drogas ilegais já se comprovaram muito eficazes como analgésicos, que pessoas que fumam maconha têm menor risco de sofrer de certas doenças, ou que o abuso de remédios controlados mata pessoas (Elvis, Heath Ledger, Michael Jackson) da mesma forma que as overdoses de drogas ilegais.  Ele poderia ter mencionado que o abuso de álcool é um problema social maior do que o uso de drogas ilegais, ou que apenas nos EUA ocorreram 1.702.537 prisões no ano passado, sendo que quase metade foi por causa de uma simples posse de maconha.
O problema com o argumento "irrefutável" de Gray é que ele é utilitarista.  Ele não faz um argumento em nome da liberdade.  Ele não argumenta que as pessoas devem ter a liberdade de usar drogas simplesmente porque elas são livres.  Assim, se a guerra às drogas parar de mutilar, traumatizar e desalojar as pessoas, se os custos da proibição tornarem-se menores que os benefícios, se as drogas ilegais puderem ter sua qualidade e sua toxicidade testadas, se a miniguerra mexicana acabar, etc. - então, de acordo com Gray, a guerra às drogas poderia ser uma coisa boa.
O único argumento irrefutável é o argumento do ponto de vista da liberdade.  Mais ainda: da imoralidade que é a intromissão governamental na vida pessoal de cada indivíduo.  Em nenhum lugar do seu artigo Gray sequer considera que não é papel do governo e nem é direito de qualquer pessoa proibir, regular, restringir ou controlar o que um indivíduo deseja comer, beber, fumar, absorver, cheirar, aspirar, inalar, engolir, ingerir ou injetar em seu corpo.
Se as drogas serão para uso médico ou recreativo é algo que não importa.  E também não importa se o uso de drogas irá aumentar ou diminuir.  Um governo que tem o poder de proibir substâncias nocivas ou práticas imorais é um governo que tem o poder de banir qualquer substância e qualquer prática.  Sequer deveria existir algo como 'substância controlada'.
Conservadores que reverenciam leis deveriam apoiar tanto a liberdade de se utilizar drogas para qualquer propósito quanto um livre mercado para as drogas.  Não é minimamente racional autorizar o governo federal a se intrometer nos hábitos alimentares, alcoólicos ou tabagistas dos indivíduos.  Com efeito, até o início do século XX inexistiam leis contra as drogas em praticamente todo o mudo.  (Clique aqui para ver algumas curiosidades sobre esse período de drogas livremente comercializadas).
Não é papel do governo e nem é direito de qualquer pessoa proibir, regular, restringir ou controlar o que um indivíduo deseja comer, beber, fumar, absorver, cheirar, aspirar, inalar, engolir, ingerir ou injetar em seu corpo.
John Gray chega a alertar contra uma "utopia libertária na qual o estado se abstém de qualquer preocupação em relação à conduta pessoal".  Mas não é com esse seu alerta ridículo que temos de nos preocupar.  O verdadeiro problema são os puritanos, os moralistas, os intrometidos, os totalitários, os estatistas e todos os outros reformadores sociais idealistas - dentro e fora do governo.
As drogas de John Gray são regulamentadas, licenciadas, tributadas, monitoradas e controladas.  Mas sem um livre mercado para as drogas, sua legalização nada mais é do que um controle estatal do mercado de drogas, como o professor e psiquiatra Thomas Szasz  já demonstrou.
O argumento de John Gray a favor da legalização de todas as drogas é facilmente refutável; já a defesa da liberdade é absolutamente irrefutável.


Milton Friedman - ganhador do nobel de economia
Fontes:


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ritual: Tabaco, Fumantes e Liberdade

O Tabaco sempre foi considerado pelos índios como uma Planta de Poder. O tabaco selvagem é uma planta muito poderosa e curativa, em seu estado original e na forma correta de sua utilização. O tabaco é considerado uma das plantas mais sagradas do xamanismo. Ele fumado no Cachimbo Ritualístico, carrega as preces para o Universo.

É usado para fazer oferenda aos guardiões, ao Grande Mistério, etc.Fumar tabaco ( em ritual ) é evocar o Plano Espíritual.
Desde a aparição da Mulher Búfalo Branco para os nativos norte-americanos, o tabaco é considerado uma planta que traz claridade. Ele é o totem vegetal da Direção Leste, do Elemento Fogo. E, como tudo que é fogo, é ambíguo. Pode elevar, transmutar ou pode destruir.Quando o tabaco é utilizado espiritualmente, traz purificação, centramento, transforma energias negativas em positivas, serve de mensageiro.
É utilizado no Xamanismo Universal. No Perú é fumado em rituais na Pipa ( cachimbo ) e na forma de cigarro. Os ayahuasqueiros chegam a dizer que :
Sin tabaco ! Sin la Ayahuasca ! (Geralmente o fumo não é tragado).

No Perú também extraem o mel de tabaco, um poderoso alterador de consciência.Podemos ver nos rituais afro ( candomblé, umbanda, etc) a utilização do tabaco pela entidades, fazendo purificações, passes, exorcismos, oferecer charutos em despachos,etc.
No Chanumpa (EUA), para cada pitada de tabaco, convida-se um espírito para participar do ritual. Ele também é ofertado para os espíritos, para o fogo, utilizado para abrir portais da mata, honrar a Criação, confeccionar bolsas medicinais, pacote de preces, etc.



Outras formas de utilização

Entre os mateiros brasileiros, eles utilizam-se do rapé, para se harmonizarem com os seres da floresta.
Existem várias formas de utilização. Por exemplo : ao invés de utilizar produtos químicos, agrotóxicos para combater pulgões e outras pragas no seu jardim, faça uma maceração a frio com 50gr. de tabaco puro, ou fumo-de-rolo picado, durante 24 horas.
Leve para a panela, adicionando 20 pimentas, uma colher de sopa de cinzas peneirada, um pedaçõ de sabão de coco e um maço de losna.
Deixe cozinhar por 20 minutos. Ao esfriar coe. Para utilizar dilua um copo dessa solução em 3 litros de água. 



COMPRESSA PARA RETIRAR ENERGIAS NEGATIVAS

( Bom para dôr-de-cotovêlo, final de caso,etc )
Para meio litro de água, coloque 4 colheres de sopa de folhas secas de tabaco ( caso não ache, serve fumo-de-corda), levando ao fogo até ferver. Quando ferver, deixe mais 5 minutos em fogo brando e retire deixando em repouso por 15 minutos coberto por um pano branco. Coe.
Pegue um pano que cubra toda a area do abdômem.Molhe o pano na infusão do tabaco e coloque em seu abdômem, deixando por 30 minutos. Esta compressa remove energias emocionais estagnadas, formas de pensamentos, quebrantes, etc.
Segundo Sangirardi Jr., o caráter religioso da fumaça remonta tempos imemoriais. Desde as cavernas da pré-história, o homem adorava o fogo. O fogo aquecia. Preparava os alimentos. Aclarava as trevas noturnas. Afastava os animais bravios. E passou a afastar também os espiritos inimigos e as forças adversas. Do fogo nasce a fumaça, que passa a participar do mesmo poder de purificar, exorcizar, de evocar os espíritos.
Fumado ou ingerido, produz o extase dos curandeiros, colocando-os em contato com forças superiores e invisíveis, que lhes permitem curar doenças, prever o futuro, afastar maus espíritos, purifica e neutraliza forças adversas.
Como expansor da consiência, é também usado um mel de tabaco, que é lambido. Também conta-se, que na forma de rapé, é utlizado para harmonização com os sêres espirituais da floresta.
Os rituais com cachimbo são utilizados por todos os povos xamânicos de todos os continentes. Também utilizados na forma de charuto, ou na palha do milho, mascados.É utlizado pelos nativos como estulantes capaz de vencer a fome, a sede e o cansaço.
Muitos povos nativos contam a história de uma Mulher Sagrada, que engravidou de gêmeos. Mesmo dentro do útero esses dois gêmeos brigavam. Um representava tudo o que era bom nos humanos, enquanto o outro representava o oposto. Quando chegou o tempo do nascimento, o garoto bom nasceu de maneira tradicional. O outro gêmeo estava tão ansioso para sair do útero, que ele se chutou para fora da mulher, ferindo-a mortalmente.
O bom filho permaneceu com a mãe, e com seus extraordinários poderes, sepultou-a conforme suas instruções. Ela lhe contou que mesmo com sua morte, boas coisas viriam para o povo. Ele permaneceu próximo de seu túmulo por alguns dias, conforme seu pedido. Antes que ele fosse embora, viu que de seu corpo nasceram as tres plantas irmãs : milho - feijão e abóbora - que deste momento em diante dariam sustento ao seu povo. De sua fronte nasceu a Planta Sagrada : Tabaco.
O tabaco é considerado uma das plantas mais sagradas, por muitos povos nativos. Para os nativos norte americanos, quando fumado no Cachimbo Sagrado, ele carrega as preces para os espíritos. Com frequência, é usado para se fazer oferendas para os Espíritos Guardiões. Fumar tabaco é chamar o plano espiritual para ajudar. Segundo Sun Bear, se alguém fuma por diversão, estará continuamente chamando Espírito para sí com um falso alarme. A maior parte do tabaco comprado em lojas é misturado com material químico, nocivo à saude.
Um dos nomes nativo-americano para a mistura do fumo é "kinniknnik ", que pode ser uma erva apenas (uva-ursi) ou uma combinação.
O tabaco é uma planta de grande ajuda. Utilizada para defumação ou no Cachimbo Sagrado, ele pode, trazer novos começos para quem quer que o esteja usando ou para quaisquer projetos ou lugares para o qual ele é queimado.

Falando sobre o uso Sociopolítico do Tabaco

Mesmo os não-fumantes devem ter um interesse muito mais que passageiro no recente assalto empreendido pelos governos às empresas de cigarro e, principalmente, aos indivíduos que fumam.
Houve uma época em que se podia desfrutar um cigarro ou um charuto em restaurantes e bares.  Com o passar dos anos, entretanto, a maioria dos governos estaduais sucumbiu à pressão e lobby de grupos antitabagistas, infringindo o direito básico que qualquer estabelecimento privado tem de determinar autonomamente a sua política tabagista.
É fácil perceber pelo seu discurso que várias dessas pessoas e organizações antifumo não apenas têm aversão à liberdade como também possuem uma mentalidade absolutamente totalitária.
Mesmo os não-fumantes não ativistas se mostram contentes com essas leis.  Eles se dizem contrariados em ter de respirar fumaça de cigarro enquanto estão comendo, dançando ou conversando, e também não gostam de ficar com o cheiro de cigarro entranhado em suas roupas ao final do expediente.  E não nos esqueçamos também dos garçons e garçonetes que dizem ter o direito de trabalhar em um ambiente livre da fumaça do cigarro.
Já os ativistas afirmam estarem apenas protegendo a saúde pública e impedindo que haja invasões indesejadas no "espaço privado" dos não-fumantes.  Porém, os métodos que eles empregam somente podem ter sucesso quando o governo parte para o confisco da propriedade privada - sem qualquer reparação de danos aos proprietários, obviamente.
Após exitosamente terem forçado as empresas de tabaco a financiar vários esquemas governamentais, a arcar com uma das maiores cargas tributárias da economia e a utilizar métodos publicitários que convençam as pessoas a não fumar, o próximo passo natural e inevitável foi banir o fumo no "ambiente de trabalho".  Embora a maioria de nós pense que "ambiente de trabalho" seja algo tipo um escritório ou estabelecimentos afins, a definição utilizada pelos ativistas é bem mais vasta, incluindo especialmente estabelecimentos como bares e restaurantes, os quais tradicionalmente são o refúgio favorito dos fumantes.
Os defensores de um "ambiente de trabalho livre do cigarro" afirmam que, uma vez que não-fumantes trabalham em bares e restaurantes, e uma vez que a fumaça expelida pelo fumante contém os chamados carcinógenos da classe A, que em altas doses podem causar câncer, os não-fumantes teriam o direito de trabalhar em ambientes "seguros".  Em outras palavras, ao banir o fumo desses lugares, o governo está simplesmente protegendo os "direitos" dos trabalhadores.
Superficialmente, tais argumentos podem parecer plausíveis, mas basta aprofundarmos um pouco para vermos que eles não apenas são enganosos, mas também absolutamente perigosos.  Tais leis se resumem a um puro confisco da propriedade.  Qualquer entidade governamental que determine as regras está utilizando de força para limitar um comportamento que possa vir a ocorrer em uma propriedade privada, embora seja o proprietário o responsável por aplicar essa regra - sob o risco de perder sua propriedade e talvez até mesmo sua liberdade caso desobedeça.  Os proprietários, que em um livre mercado teriam a liberdade de decidir autonomamente se querem ou não permitir o fumo, têm esse direito confiscado pelo estado.
Mas o detalhe básico a que poucos parecem dar atenção é que as pessoas que são empregadas ou clientes de um bar ou restaurante estão ali por opção própria.  Colocando de outra maneira, aqueles indivíduos que decidem trabalhar em um determinado estabelecimento, ou comer e beber ali, tomaram essa decisão livremente.  Nenhum dono de bar ou restaurante pode obrigar ninguém a trabalhar ou comer em seu estabelecimento.  Assim, na melhor das hipóteses, o estado está "salvando" as pessoas de seu próprio livre arbítrio, o que significa que autoridades políticas - e os ativistas que vibram com elas - estão na verdade coagindo esses trabalhadores e clientes a fazerem apenas as escolhas que tenham a aprovação do estado.
Muito alarde tem sido feito a respeito de os não-fumantes serem "vítimas" de fumo passivo criado pelos fumantes.  Aqueles que, como nós, não são fumantes, certamente já reclamaram algumas vezes sobre ter de respirar a fumaça dos outros, sendo que já houve vezes em que decidimos não ir a certos lugares apenas porque havia pessoas fumando.  Entretanto, uma coisa é se recusar a ir a lugares onde há pessoas fumando; outra coisa, bem diferente, é utilizar o estado como meio de impor nossos desejos e vontades sobre terceiros.
As políticas antitabagistas em voga dão às pessoas insatisfeitas (junto com políticos e ativistas) o controle real sobre os direitos de propriedade, que é o que esses ativistas de fato querem.  Para disfarçar um pouco do totalitarismo, todo o argumento é colocado sob o manto do cientificismo: "Todos os carcinógenos do grupo A deveriam ser banidos dos ambientes de trabalho, o máximo possível", gritou um ativista de uma corrente de e-mails.
O argumento dos "Carcinógenos Classe A", embora de início soe bem, é apenas mais um truque retórico.  De acordo com pesquisadores do câncer, a fumaça do cigarro carrega carcinógenos "Classe A", e estes supostamente têm efeito sobre os não-fumantes.  Considerando-se que grande parte das pesquisas antitabagistas tem fortes motivações políticas, deve-se sempre desconfiar de qualquer resultado delas.  (Por exemplo, a mídia recentemente trombeteou aos quatro cantos um "estudo" que afirmava que proibições ao cigarro poderiam cortar pela metade os ataques cardíacos.  A Reason Foundation já desmitificou estes e outros estudos).
"Ah, mas ninguém discorda que o cigarro faz mal à saúde!  Há muitos estudos que comprovam isso!"  Será?  Ok, não vamos discutir isso aqui.  Mas a pergunta que fica é: E daí?  Várias coisas fazem mal à saúde.  O que interessa é que o indivíduo seja livre para cometer o erro que quiser, de maneira que ele próprio faça a sua avaliação de custos e benefícios.
"Beleza", dirão alguns, "desde que os fumantes não me coloquem em risco".  Novamente, retornemos ao ponto já mencionado: ninguém é obrigado a ficar perto da fumaça.  As pessoas não têm de ir a um bar ou a um restaurante.  Ou elas aprendem a cozinhar em casa, ou elas aprendem a fazer seus próprios drinques ou elas abrem o próprio negócio!  Responsabilidades individuais, essa é a questão.  De toda forma, se realmente há muitas pessoas que valorizam estabelecimentos onde o fumo é proibido, o mercado irá encarar o desafio e ofertar esses lugares.
Em um livre mercado, estabelecimentos para fumantes e não-fumantes seriam alocados com base apenas na demanda dos consumidores.  Ludwig von Mises já demonstrou como que, em um mercado livre e desimpedido, são os consumidores quem detém o poder.  Alguns empreendedores (talvez fumantes) abririam restaurantes ou bares para os não-fumantes, caso acreditassem que poderiam maximizar seus lucros nesse tipo de ambiente.  Isso iria atrair aqueles empregados que valorizam um ambiente livre de cigarro ou que acreditam que poderiam ganhar mais (sendo mais produtivos) trabalhando em um estabelecimento antifumo.
Por outro lado, haveria empreendedores (talvez não-fumantes) que iriam querer agradar a clientela tabagista.  Esses estabelecimentos iriam atrair empregados que fumam ou que não se importam em trabalhar em um ambiente com fumaça de cigarro, desde que paguem bem.
Estes arranjos voluntários não podem ser regulamentados.  É impossível fazê-lo de modo que todos ganhem.
Alguns podem argumentar que estamos forçando a barra para tentar provar um ponto.  Ótimo, podemos aceitar que a demanda por bares, restaurantes e casas noturnas (lugares para socializar, beber, ouvir música ao vivo e dançar) é muito inelástica, de modo que os clientes não se importarão muito em sair do recinto apenas para fumar e em seguida voltar - o que não acarretaria perdas monetárias para o dono do estabelecimento.  Novamente, e daí?  Não é uma questão de lucros; é uma questão de liberdade.  Essa linha de raciocínio é apenas uma cortina de fumaça.  O argumento moral ainda apóia o direito do estabelecimento em determinar qual política tabagista irá seguir.
Mas há outros aspectos que não estão sendo levados em conta em todo esse debate.  Há muitos riscos nesse mundo, e, seguindo-se a linha de raciocínio dos ativistas, todas as pessoas insatisfeitas acabariam tendo um poder de veto absoluto sobre praticamente tudo.  Por exemplo, se uma pessoa tem o poder de entrar em um estabelecimento e exigir que as pessoas parem de fumar, então uma pessoa que se sente ofendida por um determinado tipo de filme também teria de ter o direito de exigir que o cinema parasse de exibir este filme em particular.  Você quer viver em um mundo assim? 
Ou, da mesma forma, todos nós sabemos dos perigos trazidos pelas bebidas alcoólicas; e, se é perigoso para as pessoas fumar, então certamente também é perigoso que elas bebam.  Sendo assim, espera-se que as autoridades políticas, sempre tão zelosas por nós, passem a se preocupar também com o abuso de álcool, e ordenem que bares e restaurantes parem de servir tais bebidas, ou que pelo menos permitam que qualquer um entre no estabelecimento e declare que toda a bebida seja confiscada.  Por que não?
Aliás, se realmente queremos acabar com a fonte da maioria dos cânceres, então temos de acabar com o sol.  Se esses guerreiros contra o câncer e pela saúde pública de fato estivessem preocupados em manter as pessoas afastadas dos perigos do câncer, então elas iriam exigir uma legislação que proibisse o sol de brilhar ou que, ao menos, exigisse que fechássemos todas as cortinas durante o dia e saíssemos de casa apenas à noite, algo parecido com a sátira "Petição dos Fabricantes de Vela", de Frederic Bastiat. (Mas é bom não dar muita ideia).
Entretanto, como já virou coro entre os ativistas, o que eles querem é apenas eliminar os carcinógenos "Classe A" do ambiente de trabalho.  Essa não é uma tarefa tão fácil quanto parece, ainda que toda a fumaça de tabaco venha a ser de fato eliminada.  Os carcinógenos estão em todos os lugares, incluindo roupas e carpetes.  É impossível viver sem entrar em contato com essas coisas.  (A menos que você seja um índio numa floresta).
Assim, toda a ladainha sobre segurança é apenas um estratagema para esconder o real objetivo da coisa.  Os ativistas antitabaco não irão descansar enquanto não retornarmos a algo tipo a Lei Seca dos anos 1920 nos EUA, desta vez com o tabaco sendo o alvo.  O fracasso de todas as outras leis que banem o álcool e as drogas parece não afetá-los em nada.
Embora muitos libertários tenham moldado o argumento como sendo uma disputa entre os direitos dos fumantes e dos não-fumantes, é um erro parar por aí.  Não há dúvidas de que haja um conflito de direitos aqui, mas uma legislação que regule o uso do tabaco não é a solução.  A questão real não é se a lei será utilizada como um instrumento de mediação entre fumantes e não-fumantes, mas sim o fato de que ativistas estão utilizando o estado como meio de sequestrar o controle sobre a propriedade privada e de proibir que indivíduos capazes de pensar autonomamente façam suas escolhas.
"Se a liberdade que o homem tem de escolher seu próprio consumo for abolida, então todas as liberdades estão abolidas", escreveu Mises.
Por último, vale a pena comentar outro ataque bastante comum perpetrado contra o cigarro: os prejuízos que os fumantes impõem ao sistema de saúde.  O argumento é mais ou menos assim: "Fumantes são mais propícios a sofrer doenças do coração, enfisema e câncer, e será o governo quem terá de pagar as contas dos hospitais públicos".  A maneira mais óbvia de solucionar esse dilema é tirando o governo do setor da saúde.  Porém, antes que os socialdemocratas esperneiem, convém lembrar que, seguindo-se essa lógica, os obesos, os alcoólatras e os promíscuos também oneram, cada um à sua maneira, o sistema de saúde.  Não faz sentido culpar apenas um grupo e jamais mencionar os outros.  É por isso que quando se cria essas benesses governamentais, como saúde e educação pública, discriminações desse tipo tornam-se inevitáveis.
Murray Rothbard é quem coloca claramente: "Não existe algo como a ação de 'grupos', de 'coletivos' ou de 'estados'.  Eles não representam as ações de vários indivíduos em específico; eles representam apenas o desejo de um grupo ínfimo de pessoas que querem impor suas vontades sobre todo o resto". Logo, não é o "governo" quem paga o serviço de saúde pública - os contribuintes é que pagam.  Mas essa é outra história.
Aliás, é capaz de os fumantes na realidade estarem poupando o dinheiro do "sistema", já que, como propagandeiam os ativistas, eles morrem mais cedo do que os não-fumantes, o que significa que eles não poderão "onerar" por muito tempo a Previdência Social, para a qual contribuíram solidamente durante toda a vida de trabalho.
Qualquer que seja a justificativa utilizada, o fato é que quando o governo tenta proteger a sociedade de algum perigo, ele acaba violando as liberdades individuais.  A livre iniciativa e a liberdade de associação são os verdadeiros direitos pelos quais devemos lutar, ao invés da espúria ideia do "direito" a um ambiente sem cigarro. 
A decisão sobre se devemos ou não banir o cigarro da propriedade privada é algo que deve ser deixado apenas a cargo do dono da propriedade, ponto.  Ademais, os indivíduos que escolheram frequentar ou trabalhar em tais lugares não devem depois vir reclamar que a fumaça exalada pelos fumantes os deixou doentes (e então arrumar um júri que os fará multimilionários).  É hora de encarar e assumir as consequências das próprias atitudes.  A liberdade implica isso.
Apesar de gostarem de ser vistos como zeladores ciosos da saúde alheia, os ativistas antitabagismo nada mais são do que ladrões enrustidos.  Sim, a liberdade de expressão significa que eles podem dizer o que quiserem.  E sim, o direito sobre a propriedade privada também diz que eles deveriam cuidar apenas das coisas deles quando se trata da propriedade alheia.
Quando as pessoas abandonarem essa atitude arrogante e hipócrita e perceberem que não é um direito trabalhar para alguém ou que não é um direito entrar na propriedade alheia; e quando as pessoas entenderem a diferença entre "público" e "privado", então, só então, a incrível perda de tempo e a incrível quantidade de dinheiro do contribuinte que é gasta em legislações antitabagistas irão parar.  E talvez então o governo irá parar de interferir nos direitos de propriedade, devolvendo esse comando a quem realmente tem esse direito: os proprietários.
É a única coisa moral a se fazer.




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