domingo, 24 de julho de 2011

Crise belga com fim à vista

Bruxelas, 12 jun (EFE).- As diferenças entre as duas principais comunidades linguísticas da Bélgica, os flamengos do norte (Flandres) e os francófonos do sul (Valônia), afastam o fim da grave crise política que vive o país há um ano diante da dificuldade de formar Governo e reformar o Estado.

Bélgica celebrou em 13 de junho de 2010, eleições gerais antecipadas vencidas pelos dois partidos antagônicos - os soberanistas flamengos do N-VA no norte e os socialistas francófonos do PS no sul -, o que provocou um bloqueio político de dimensões históricas.

Acostumado a Governos de coalizão e a negociações intermináveis devido às dificuldades para resolver as disputas entre o norte e o sul, o país nunca antes tinha vivido tanto tempo regido por um Executivo interino.

O encarregado de formar Governo e provável futuro primeiro-ministro, o socialista francófono Elio di Rupo, considera "indispensável" uma reforma em profundidade da Bélgica, mas diz que não é possível aceitar certos pedidos "muito perigosos" dos partidos flamengos, porque representariam o desmantelamento do país, como indicou em entrevista à Agência Efe neste sábado.

O líder do N-VA, Bart De Wever, interrogado sobre sua pretensão de separar Flandres da Bélgica, ponto número um de seu programa eleitoral, esclareceu, em uma entrevista neste fim de semana que trata-se de uma evolução de longo prazo e sustentou que no fundo nenhum dos líderes políticos da Bélgica acredita realmente no futuro do país.

O pleito de junho foi convocado pela queda do Governo anterior, precisamente devido ao enfrentamento pelo regime linguístico aplicado na periferia de Bruxelas, onde residem 150 mil francófonos que contam com "facilidades administrativas" em seis municípios flamengos.

Nas ruas da localidade, francófonos e flamengos convivem em paz, embora com tensões ocasionais. As últimas pesquisas de intenções de voto, publicada neste fim de semana, indicam que tanto o N-VA como o PS sairiam reforçados se voltassem a convocar eleições.

A atenção se concentra na proposta de Di Rupo que será apresentada no fim de junho sobre a reforma do Estado, que se for aceita pelos demais partidos poderia representar o início do fim da crise na Bélgica.

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Hoje, no momento em que flamengos e valões falam em edificar fronteiras e muros entre si e determinados grupos são mandados de avião para fora do território francês, qual será a imagem que a Europa dá de si própria ao mundo?

A crise política, identitária e, acima de tudo, moral, que atravessa a Bélgica é uma nova "história belga", uma exceção tragicómica secundária, ou será que reflete uma crise europeia mais geral e mais grave, sendo o reino da Bélgica a sua expressão mais extrema?

O estatuto próprio de Washington DC, nos Estados Unidos da América, reveste-se de um sentido no quadro do sistema federal americano. Mas será que Bruxelas poderá continuar a ser a capital da União Europeia quando deixar de ser a capital de um Estado-membro?

Em Itália, costuma dizer-se que a nação italiana, em 150 anos de história, ainda não conseguiu dotar-se de um Estado digno desse nome. Na Bélgica, foi esse Estado, criado em 1830 por vontade de uma elite da Valónia, com o apoio da França de Luís Filipe, que fracassou na tentativa de criar uma nação, apesar da estabilidade da monarquia, do império ultramarino... e do futebol?

Bélgica

A Bélgica (em neerlandês België, francês Belgique e alemão Belgien), oficialmente Reino da Bélgica, é um país situado na Europa ocidental. É membro fundador da União Europeia e hospeda sua sede, bem como as de outras grandes organizações internacionais, incluindo a OTAN. A Bélgica tem uma área de 30.528 quilômetros quadrados e uma população de cerca de 10,7 milhões de habitantes.
Ocupando a fronteira cultural entre a Europa germânica e a Europa latina, a Bélgica é o lar de dois principais grupos linguísticos: os flamengos, falantes do holandês, e os valões, que falam francês, além de um pequeno grupo de pessoas que falam a língua alemã. As duas maiores regiões da Bélgica são a região de língua holandesa de Flandres, no norte, com 59% da população e a região francófona da Valónia, no sul, habitada por 31% dos belgas. A Região de Bruxelas, oficialmente bilíngue, é um enclave de maioria francófona na Região flamenga e tem 10% da população. Uma pequena comunidade de língua alemã existe no leste da Valónia. A diversidade linguística da Bélgica e conflitos políticos e culturais são refletidos na história política e no complexo sistema de governo do país.
O nome "Bélgica" é derivado de Gallia Belgica, uma província romana na parte setentrional da Gália, que era habitada pelos Belgae, uma mistura de povos Celtas e Germânicos. Historicamente, Bélgica, Holanda e Luxemburgo eram conhecidos como os Países Baixos, nome utilizado para designar uma área um pouco maior do que o atual grupo de países chamado Benelux. Do final da Idade Média até o século XVII, o país era um próspero centro de comércio e cultura. A partir do século XVI até a Revolução Belga em 1830, muitas batalhas entre as potências europeias foram travadas na área da atual Bélgica, fazendo com que o país fosse apelidado de "campo de batalha da Europa", reputação reforçada pelas duas Guerras Mundiais. Após a sua independência, a Bélgica logo participou da Revolução Industrial e, no final do século XIX, possuía várias colônias na África. A segunda metade do século XX foi marcado pela ascensão de conflitos comunais entre os flamengos e os francófonos, alimentados por diferenças culturais e por uma evolução econômica assimétrica entre os Flandres e a Valónia. Estes conflitos, ainda ativos, têm causado profundas reformas do Estado unitário ex-belga para um estado federal.
A Bélgica situa-se numa região habitada por tribos célticas e germânicas na época da conquista por Júlio César, em 50 a.C. Do século XVI ao XVIII, os belgas encontram-se sob domínio espanhol, quando, em 1815, o país é integrado nos Países Baixos, conquistando a sua independência. Durante a Primeira Guerra Mundial, tropas alemãs invadem o país. Em 1948, a Bélgica, os Países Baixos e o Luxemburgo formam o Benelux (België, Nederland e Luxemburg em Neerlandês), abolindo barreiras alfandegárias. A Bélgica torna-se membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e participa da formação da Comunidade Europeia. Em 1960 concede independência ao Congo, sua antiga colónia. Reformas constitucionais estabelecem três comunidades - flamenga, valã e alemã - e três regiões - Flandres, Valónia e Bruxelas - com instituições autónomas. Mesmo assim, eclodem conflitos entre valões e flamengos em 1987. Atualmente a sua capital, Bruxelas, é a sede de algumas das instituições da União Europeia.

A Bélgica tem três idiomas oficiais, que estão na ordem da população falante nativa na Bélgica: o holandês, francês e alemão. Um certo número de línguas minoritárias não-oficiais são faladas também.
Como não existe censo, não existem dados estatísticos oficiais sobre a distribuição ou o uso das três línguas oficiais da Bélgica ou de seus dialetos. No entanto, vários critérios, incluindo a língua(s) dos pais, da educação, ou do estatuto de segunda língua de origem estrangeira, podem fornecer valores sugeridos. Uma estimativa de 59% da população belga fala holandês (muitas vezes coloquialmente referido como "Flamengo") e o francês é falada por 40% da população. O total de falantes do holandês é de 6,23 milhões, concentrados na região do Flandres no norte, enquanto os falantes de francês compreendem 3,32 milhões na Valônia. A Comunidade de língua alemã é composta de 73.000 pessoas no leste da Região da Valônia, cerca de 10.000 alemães e 60.000 cidadãos belgas são falantes do alemão. Cerca de 23 mil falantes do alemão vivem em municípios próximos a comunidade oficial germanófona.
Tanto o Francês Belga quanto o Holandês Belga tâm diferenças menores em nuances de vocabulário e semântica das variedades faladas, respectivamente, na Holanda e na França. Muitas pessoas ainda falam dialetos flamengos em seu ambiente local. Dialetos da região da Valônia, juntamente com a língua picarda, não são utilizados na vida pública.
Desde a independência do país, o catolicismo romano, contrabalançado por fortes movimentos de pensamento livre, teve um papel importante na política da Bélgica. No entanto a Bélgica é, em grande parte, um país secular e, como previsto na constituição, laico com liberdade de religião, e o governo geralmente respeita este direito na prática. Durante o reinado de Alberto I e Balduíno, a monarquia teve o catolicismo profundamente enraizado.
Simbólica e materialmente, a Igreja Católica permanece em uma posição favorável. O conceito belga de "religiões reconhecidas", define um caminho para o islã para adquirir o tratamento das religiões judaica e protestante. Enquanto outras religiões minoritárias, como o hinduísmo, ainda não têm esse estatuto, o budismo deu os primeiros passos em direção ao reconhecimento legal em 2007. De acordo com a pesquisa 2001 Survey and Study of Religion, 47% da população se identificou como pertencente à Igreja Católica, enquanto que o Islã é a segunda maior religião, com 3,5%. Uma pesquisa de 2006 considerou a região dos Flandres mais religiosa do que a Valônia, sendo que 55% dos entrevistados se consideravam religiosos e 36% acreditavam que Deus criou o mundo.
Segundo pesquisa do Eurobarômetro, em 2005, 43% de cidadãos belgas responderam que "acreditam que existe um Deus", enquanto 29% responderam que "acreditam que existe algum tipo de espírito ou força vital" e 27% disseram que "não acreditam que haja algum tipo de espírito, Deus ou força vital".
Uma estimativa de 2008 mostrou que 6% da população belga, cerca de 628.751 pessoas, é muçulmana (98% sunitas). Os muçulmanos constituem 25,5% da população de Bruxelas, 4,0% dos habitantes da Valônia e 3,9% dos Flandres. A maioria dos muçulmanos belgas vivem nas grandes cidades, como Antuérpia, Bruxelas e Charleroi. Os marroquinos são o maior grupo de imigrantes na Bélgica, com 264.974 pessoas. Os turcos são o terceiro maior grupo e, o segundo maior grupo étnico muçulmano, com 159.336 pessoas. Além disso, cerca de 10.000 sikhs também estão presentes na Bélgica.
A Bélgica é uma monarquia constitucional, popular e uma democracia parlamentar.
O parlamento bicameral federal é composto de um senado e uma câmara dos deputados. O primeiro é composto por 40 políticos eleitos diretamente e 21 representantes designados pelos parlamentos das 3 Comunidades, 10 senadores cooptados e os filhos do rei, como senadores por direito. Os 150 deputados da câmara são eleitos por um sistema de votação proporcional em 11 circunscrições eleitorais. A Bélgica é um dos poucos países que tem o voto compulsório e, portanto, detém um dos maiores índices de comparecimento às urnas em todo o mundo.
O rei (atualmente Alberto II) é o chefe de estado, embora dispondo de prerrogativas limitadas. Ele nomeia os ministros, incluindo o primeiro-ministro, que têm a confiança da câmara dos deputados para formar o governo federal. O número de ministros de falantes do holandês e do francês são iguais, conforme prescrito pela constituição. O sistema judicial é baseado no sistema romano-germânico e tem origem no Código Napoleônico.
A economia fortemente globalizada da Bélgica e sua infraestrutura de transporte são integradas com o resto da Europa. A sua localização no coração de uma região altamente industrializada ajudou a torná-la a 15ª maior nação comercial do mundo em 2007. A economia é caracterizada por uma força de trabalho altamente produtiva, um PNB alto e por exportações per capita mais elevadas. Os principais produtos importados pela Bélgica são alimentos, maquinaria, diamantes, petróleo e derivados, químicos, vestuário e têxteis. Os principais produtos belgas exportados são automóveis, produtos alimentícios, ferro e aço, diamantes lapidados, têxteis, plásticos, produtos de petróleo e de metais não-ferrosos.
A economia da Bélgica está fortemente orientada para os serviços e mostra uma dupla natureza: a região flamenga tem uma economia dinâmica e a Valônia tem uma economia menos desenvolvida. Um dos membros fundadores da União Europeia, a Bélgica apoia fortemente uma economia aberta e o alargamento das competências das instituições da UE para integrar as economias dos membros do bloco. Desde 1922, através da União Econômica Belgo-Luxemburguesa, Bélgica e Luxemburgo têm sido um mercado único de comércio com a união aduaneira e monetária.
Porto da Antuérpia.
A Bélgica foi o primeiro país continental europeu a entrar na Revolução Industrial, no início do século XIX. Liège e Charleroi desenvolveram rapidamente a mineração e a siderurgia, que floresceram até meados do século XX no vale do Sambre-Mosa, o sillon industriel (em francês: vale industrial), fizeram da Bélgica uma das três maiores nações mais industrializadas do mundo entre 1830-1910. No entanto, por volta de 1840, a indústria têxtil dos Flandres entrou em grave crise e a região passou fome entre 1846-1850.
Após a Segunda Guerra Mundial, Ghent e Antuérpia experimentaram uma rápida expansão das indústrias química e petrolífera. As crises do petróleo de 1973 e 1979 levaram a economia do país e entrar em um processo de recessão; foi particularmente prolongado na Valônia, onde a indústria do aço tinha se tornado menos competitiva e experimentou um forte declínio. Nas décadas de 1980 e 1890, o centro econômico do país continuou em deslocamento para o norte e, agora, está concentrado na área populosa chamada "Diamante Flamengo".
Até o final da década de 1980, as políticas macroeconômicas belga resultaram em uma dívida acumulada de cerca de 120% do PIB. Em 2006, o orçamento foi equilibrado e a dívida pública foi equivalente a 90,30% do PIB. Em 2005 e 2006, as taxas de crescimento real do PIB foram de 1,5% e 3,0%, respectivamente, ligeiramente acima da média para a zona Euro. As taxas de desemprego de 8,4% em 2005 e 8,2% em 2006 também estavam perto da média da área.
De 1832 até 2002, a moeda da Bélgica foi o franco belga. o país adotou o euro em 2002, com a primeira série de moedas de euro a ser cunhadas em 1999. O padrão de moedas do euro belga, designado para a circulação, mostra o retrato do rei Alberto II.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Onde para o BCE?

Banco Central Europeu

O Banco Central Europeu (BCE), com sede em Frankfurt, na Alemanha, é responsável pela gestão do euro, a moeda única da UE, bem como por assegurar a estabilidade dos preços na UE

O BCE é igualmente responsável pela definição e execução da política económica e monetária da UE.

Missão

O Banco Central Europeu (BCE) é uma das instituições da União Europeia. O seu principal objetivo é:

  • garantir a estabilidade dos preços (manter a inflação sob controlo), especialmente nos países que utilizam o euro;
  • velar pela estabilidade do sistema financeiro, assegurando uma supervisão adequada dos mercados e das instituições financeiras.

O BCE trabalha com os bancos centrais dos 27 países da UE, que formam o Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC).

O BCE também coordena a estreita colaboração entre os bancos centrais da zona euro, isto é, dos 16 países da UE que adotaram o euro. A cooperação entre este grupo mais reduzido de bancos é denominada "Eurossistema".

Funções

O papel do BCE inclui:

  • fixar as principais taxas de juro English para a zona euro e controlar a massa monetária;
  • gerir as reservas de divisas da zona euro e comprar ou vender divisas sempre que necessário para manter o equlíbrio das taxas de câmbio;
  • ajudar a assegurar uma supervisão adequada dos mercados e instituições financeiras pelas autoridades nacionais, bem como o bom funcionamento dos sistemas de pagamento;
  • autorizar os bancos centrais dos países da zona euro a emitir notas de euro;
  • acompanhar a evolução dos preços e avaliar os riscos que estes representam para a estabilidade dos preços.

Lista integral das funções do BCE

Estrutura

O BCE possui os seguintes órgãos de decisão:

  • Comissão Executiva – responsável pela gestão das actividades correntes do BCE. É constituída por seis membros (um Presidente, um Vice-Presidente e quatro vogais), que são nomeados por um período de oito anos pelos dirigentes dos países da zona euro.
  • Conselho do BCE – define a política monetária da zona euro e fixa as taxas de juro a que os bancos comerciais podem obter fundos junto do Banco Central. É composto pelos seis membros da Comissão Executiva e pelos governadores dos 16 bancos centrais dos países da zona euro.
  • Conselho Geral – participa nos trabalhos de consulta e coordenação do BCE e ajuda a preparar a adesão de novos países à zona euro. É constituído pelo Presidente e pelo Vice-Presidente do BCE e pelos governadores dos bancos centrais dos 27 países da UE.

O BCE é completamente independente. Com efeito, o BCE, os bancos centrais nacionais do Eurossistema e os membros dos respectivos órgãos de decisão não podem solicitar ou receber instruções de qualquer outro órgão. Todas as instituições e governos dos países da UE devem respeitar este princípio.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Filosofia da Liberdade: Pilhagem


A pilhagem, também chamada de saque, é o furto ou roubo indiscriminado de bens alheios como parte de uma vitória política ou militar, ou no decorrer de uma catástrofe ou tumulto, como numa guerra ou num desastre natural.
Por força dos acordos firmados nas Convenções de Genebra en 1949, considera-se crime tomar ou destruir propriedade privada durante uma ocupação militar, a menos que seja "absolutamente necessário".
Alguns povos da Antiguidade se dedicavam com maior ou menor intensidade à pilhagem, mesmo em tempos de paz, como é o caso dos celtas, vândalos e vikings.

Frédéric Bastiat

Claude Frédéric Bastiat (Baiona, 30 de junho de 1801 — Roma, 24 de dezembro de 1850) foi um economista e jornalista francês. A maior parte de sua obra foi escrita durante os anos que antecederam e que imediatamente sucederam a Revolução de 1848. Nessa época, eram grandes as discussões em torno do socialismo, para o qual a França pendia fortemente. Como deputado, teve a oportunidade de se opor vivamente às idéias socialistas, fazendo-o através de seus escritos, vazados em estilo cheio de humor e sátira e de muito agradável leitura.
Entre os economistas franceses, Frédéric Bastiat ocupa um lugar de destaque. Sua obra completa se compõe de sete volumes. Um princípio domina sua obra: A lei deve proteger a personalidade, a liberdade e a propriedade de cada um. Infelizmente, ela pode ser pervertida e posta a serviço de interesses particulares, tornando-se, então, um instrumento de espoliação. É desta forma que Bastiat analisa o funcionamento do Estado, esta "grande ficção através da qual todos se esforçam para viver às custas dos demais". Para ele, protecionismo, intervencionismo e socialismo são as três forças de perversão da lei.
Ao tomar conhecimento da campanha desenvolvida por Cobden e sua liga na Inglaterra, escreve um artigo, publicado no Journal des Économistes, no qual elogia os méritos do livre mercado. O sucesso é imediato. Bastiat vai a Paris e durante os sete anos que lhe restaram de vida se consagra incansavelmente a defender a causa que abraçara. Em 1848, é eleito para a Assembléia Constituinte e, depois, para a Assembléia Legislativa.
Bastiat nasceu em Bayonne, Aquitaine, França. Aos nove anos de idade, se tornou orfão e foi morar sob custódia de seus avós paternos. Aos 17, ele deixou a escola para se envolver nos negócios de sua familia, trabalhando como exportador. Aos 25, com a morte de seu avô, Bastiat herdou os bens de sua família e dali para frente iniciou sua carreira de inquérito teórico. Seu interesse intelectual incluia: filosofia, política, historia, religião, poesia, e economia.
Em 1844 iniciou a carreira pública como economista, mas não durou mais que 6 anos com sua morte em 1850. Bastiat foi vítima de uma tuberculose, que foi provavelmente contraída em uma de suas viagens na França em que promovia seus pensamentos. Bastiat morreu em Roma em 24 de Dezembro de 1850.
O pensamento de Frédéric Bastiat é fortemente liberal e intimamente associado à defesa da liberdade do indivíduo contra toda espécie de autoridade, especialmente a estatal, conforme se verifica no trechos abaixo de sua obra "A Lei":
"Isto deve ser dito: há no mundo excesso de grandes homens. Há legisladores demais,
organizadores, fundadores de sociedades, condutores de povos, pais de nações, etc. Gente
demais se coloca acima da humanidade para regê-la, gente demais para se ocupar dela."
-Frédéric Bastiat, A Lei, 1848.
"Parece-me que tenho a meu favor a teoria, pois qualquer que seja o assunto em discussão,
quer religioso, filosófico, político, econômico, quer se trate de prosperidade, moralidade,
igualdade, direito, justiça, progresso, trabalho, cooperação, propriedade, comércio, capital,
salários, impostos, população, finanças ou governo, em qualquer parte do horizonte científico
em que eu coloque o ponto de partida de minhas investigações, invariavelmente chego ao
seguinte: a solução para problemas sociais humanos está na liberdade."
-Frédéric Bastiat, A Lei, 1848.
Bastiat foi autor de varias obras nas áreas de economia e politica, que em geral eram caracterizadas por sua organização clara, linguagem simples, e um humor genial. Entre alguns de seus trabalhos mais conhecidos, está "Sofismas Econômicos", "O que que vê e o que não se vê", e o mais famoso "A Lei". Todos contem fortes ataques que opõem regulamentos e legislações estatais.
A coleção das obras completas de Frédéric Bastiat em francês está disponível no sítio da Biblioteca Nacional Francesa 


"Carlos El Chacal" tupiniquim - Depoimento de um Assassino bem Sucedido


Carlos Eugênio da Paz

20/05/2011

às 18:27

“Explicamos que tínhamos deliberado por sua execução e o matamos”

Carlos Eugênio da Paz, o homem da ALN que avalia fuzis “bons para execução”, concedeu uma entrevista à VEJA de julho de 1996. Reproduzo alguns trechos. Ele trata da morte como quem diz: “Está frio e hoje e sexta-feira”. Prestem especial atenção ao trecho em que ele trata do assassinato de um companheiro seu de militância, de quem, segundo disse, gostava… Imaginem o que não faria — e não fez — com inimigos…

(…)
VEJA - Além de assaltar bancos nos anos 60 e 70, as organizações terroristas de esquerda também assassinaram pessoas. Quantas pessoas o senhor matou?
CARLOS EUGÊNIO
- Calculo que o total fique perto de dez. Não dá para ter certeza porque, muitas vezes, você atirava de metralhadora para sair de um cerco policial e não podia saber se havia acertado e, menos ainda, se tinha matado. Mas sempre que matei foi para sobreviver. Naquela época, eu acordava de manhã com a metralhadora na mão, enchia os bolsos de granada, pegava uma pistola e saía para rodar pela cidade num carro roubado. Uma vez, em São Paulo, fui perseguido por uma viatura da polícia até que consegui acertar o motorista com um tiro de fuzil. O carro bateu num poste, capotou. Acabei escapando, mas não sei se alguém morreu.

VEJA - Em 1971, Márcio Leite de Toledo, que era militante da ALN, foi morto pela própria organização. Por quê?
CARLOS EUGÊNIO -
Tomamos essa decisão em duas reuniões. Em ambas, eu fui a favor da execução. No total, oito militantes foram ouvidos, e a decisão foi unânime. Por quê? Porque ele era um dirigente que sabia tudo sobre a organização, Havia estado em Cuba para treinar guerrilha, mas, ao voltar ao Brasil, dava sinais de fraqueza. Num assalto, em vez de proteger os militantes, como o combinado, fugiu correndo. Estava fraco, querendo deixar a luta. Concordamos que saísse da organização. Mas exigimos que deixasse o Brasil — poderíamos até mandá-lo ao exterior — por um período de pelo menos seis meses. Ele discordava. Queria sair da ALN e ficar no país. Ora, naquela circunstância, com a polícia cada vez mais perto, ele seria preso e levaria outros quinze militantes com ele. Marcamos um ponto com ele, fomos lá, explicamos que tínhamos deliberado por sua execução e o matamos.

VEJA - Quatro pessoas participaram desse assassinato. Duas ficaram de vigília e duas atiraram. O que você fez?
CARLOS EUGÊNIO -
Eu atirei.

VEJA - O que acontece quando você pensa nessa morte hoje?
CARLOS EUGÊNIO -
É difícil. Eu tinha até simpatia pelo Mauro, mas não vou fingir arrependimento. Tenho certeza de que, se não o matássemos, pelo menos quinze militantes acabariam morrendo, e minha culpa seria maior. A lógica em que vivíamos na época era a lógica da violência, da guerra, e não existe guerra limpa. Nós vivíamos uma situação que só poderia levar a isso. Se você aceita empregar métodos violentos, tem de aceitar a sujeira que vai produzir. É o que sempre acontece. Você começa atirando contra o inimigo, depois acerta o antigo companheiro e assim por diante.
(…)
VEJA - E quem fez [a luta armada]?
CARLOS EUGÊNIO -
Fomos nós, garotos, gente com 18 anos na época, ou menos do que isso. Eu tinha 17 anos quan­do participei de minha primeira ação.Assaltamos um cinema no Rio de Janeiro. Demos treze tiros no guarda que tomava conta da bilheteria. Ele não morreu porque nenhum de nós sabia atirar. Ficou com bala no braço, na perna, no ombro, mas sobreviveu,

Encerro
É isso aí, leitor! Como vocês viram, Carlos Eugênio admite que todos, também os terroristas, estavam numa guerra suja. Vocês perceberam que ele tenta desmoralizar uma de suas vítimas, que era seu “companheiro”. Muito humanas, as organizações extremistas de esquerda explicavam para os “condenados” por que eles seriam executados. Moralmente, isso consegue ser pior do que a ação dos torturadores. Ao “explicar”, é como se tentassem obter a anuência do futuro cadáver.

Carlos Eugênio, insisto, é um “anistiado” pela Comissão de Anistia. As famílias de suas vítimas jamais receberam um tostão do estado. Se entrassem com um pedido junto à comissão, é muito provável que fosse indeferido.

Aliás, por que não nomeiam este senhor para a tal “Comissão da Verdade”? Como a gente nota, sinceridade não lhe falta. Ele diz, com todas as letras, que há “fuzis bons para execução”. Um dos grandes militantes da causa da “Comissão da Verdade” e da revisão da Lei da Anistia é Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e hoje assessor especial de Lula — cuida da criação do tal instituto. Atenção com o parágrafo que encerra este post.

Vannuchi era da ALN — isto é, era um comandado de Carlos Eugênio. Digam-me: Vannuchi não estava mesmo no lugar certo, a pasta que cuida dos Direitos Humanos?

Por Reinaldo Azevedo