segunda-feira, 13 de junho de 2011

Turquia-União Europeia: o eterno problema

Turquia

A Turquia (em turco: Türkiye), cujo nome oficial é República da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti), é um país euro-asiático que se estende por toda península da Anatólia, no extremo ocidental da Ásia e pela Trácia Oriental (também conhecida como Rumélia), no sudeste da Europa. A Turquia é um dos seis estados turcos independentes. O país faz fronteira com oito países: a noroeste com a Bulgária, a oeste com a Grécia, a nordeste com a Geórgia, a Arménia e o enclave de Nakichevan do Azerbaijão, a leste com o Irão e a sudeste com o Iraque e a Síria. O Mar Mediterrâneo e o Chipre situam-se a sul, o Mar Egeu a sudoeste-oeste e omar Negro a norte. O Mar de Mármara, o Bósforo e o Dardanelos (que juntos formam os Estreitos Turcos) demarcam a fronteira entre a Trácia e a Anatólia e separam a Europa da Ásia.

Os turcos começaram a migrar para a área que é atualmente a Turquia ("terra dos turcos") no século XI. O processo foi acelerado pela vitória do Império Seljúcida sobre o Império Bizantino, na Batalha de Manzikert. Os turcos seljúcidas constituíram um poderoso reino na Anatólia nos 150 anos seguintes, o Sultanato de Rum, que governou grande parte da Anatólia até às invasõesmongóis, em meados do século XIII. A decadência do sultanato seljúcida deu origem à independência e expansão política e militar de uma série de beilhiques (principados muçulmanos), entre eles o dos otomanos (em turco: osmanlı, "os filhos de Osman"), que viriam a absorver os restantes beilhiques e a criar o Império Otomano, que no seu auge, nos séculos XVI e XVII, se estendia desde o Sudeste da Europa ao Sudoeste da Ásia e Norte da África. Após o Império Otomano ter entrado em colapso após a sua derrota na Primeira Guerra Mundial, os seus territórios foram ocupados pelos aliados vitoriosos. Um grupo de jovens oficiais militares, liderados por Mustafa Kemal, organizaram uma resistência contra os Aliados, e em 1923 estabeleceram a moderna República da Turquia, com Kemal Atatürk como seu primeiro presidente.

A localização da Turquia, entre a Europa e a Ásia, torna o país geoestrategicamente importante. A religião predominante na Turquia é o islamismo, com pequenas minorias de cristãos e judeus. A língua oficial do país é o turco, falado pela esmagadora maioria da população. A segunda língua mais usada é o curdo, falada pela maior minoria do país, os curdos, que representam cerca de 18% da população. As restantes minorias constituem entre 7 e 12% da população.

A Turquia é uma república constitucional democrática, secular e unitária, com uma antiga herança cultural. O país tem relações estreitas o ocidente, nomeadamente através da sua presença em organizações como o Conselho da Europa, OTAN, OCDE,OSCE e G20. A Turquia iniciou as negociações de adesão plena à União Europeia em 2005, da qual é membro associado desde1963 e com a qual tem um acordo de união aduaneira desde 1995. O país também tem fomentado estreitas relações culturais, políticas, económicas e industriais com o Oriente Médio, com os estados turcos da Ásia Central e com os países africanosatravés da participação em organizações como a Organização da Conferência Islâmica e a Organização de Cooperação Económica. Graças à sua localização estratégica, a sua grande economia e o seu exército, a Turquia é classificada como uma potência regional.

A Turquia é uma democracia representativa parlamentar. Desde a fundação da república em 1923 que o país desenvolveu uma forte tradição desecularismo. A Constituição da Turquia governa o quadro jurídico do país, estabelece os princípios de governo e consagra a Turquia como um estado unitário centralizado.[182]

O Presidente da República é o chefe de estado e o seu papel é em grande parte cerimonial, competindo-lhe as funções de representar o país e velar pela sua unidade. É o comandante supremo das forças armadas em nome do parlamento (Grande Assembleia Nacional) e tem o poder de dissolver o parlamento e convocar eleições. O presidente é eleito por sufrágio universal direto para um mandato de cinco anos. Os candidatos a presidente são propostos por pelo menos vinte membros do parlamento.[183] O presidente da república atual (2011), Abdullah Gül, o primeiro presidente da república turco que é um muçulmano devoto, foi eleito no dia 28 de agosto de 2007, sucedendo a Ahmet Necdet Sezer.[184]

O poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, que preside ao Conselho de Ministros, que compõem o governo. O poder legislativo é exercido pela Grande Assembleia Nacional da Turquia, um parlamento unicameral. O poder judiciário é independente do poder executivo e legislativo. O Tribunal Constitucional pronuncia-se sobre a conformidade das leis e decretos com a constituição. O Supremo Tribunal é o tribunal de última instância para julgar todos os processos, exceto os administrativos, cuja instância superior é o Conselho de Estado.

O primeiro-ministro é eleito pelo parlamento por um voto de confiança no governo; na maioria das vezes é o líder do partido que tem a maioria de assentos parlamentares. O atual primeiro-ministro é o ex-prefeito de Istambul, Recep Tayyip Erdogan, cujo Partido da Justiça e Desenvolvimento(AKP), de tendência conservadora e islamista moderada, ganhou a maioria absoluta dos assentos parlamentares nas eleições gerais de 2002, organizadas na sequência da crise económica de 2001, com 34,2% dos votos.

Recep Tayyip Erdoğan por duas vezes foi eleito primeiro-ministro desde 2002; o seu partido (AKP) ganhou 47% dos votos nas eleições gerais de 2007.

Nas eleições gerais de 2007, o AKP obteve 46,6% dos votos, mantendo a maioria absoluta no parlamento. Embora não seja obrigatório que os ministros sejam membros do parlamento, isso é muito comum na política turca. Em 2007 e 2008 ocorreram uma série de polémicas sobre a laicidadedo estado e o papel do poder judicial sobre a legislação. Estas incluíram a controversa eleição presidencial de Abdullah Gül, que no passado esteve ligado a partidos islâmicos, e a proposta do governo para levantar a proibição do véu nas universidades. Esta proposta foi anulada pelo Tribunal Constitucional, que além disso aplicou uma multa ao partido no poder; este esteve à beira de ser proibido e 71 dos seus membros, incluindo o primeiro-ministro, correram riscos de serem proibidos de pertencer a um partido político durante cinco anos, o que seria uma repetição noutros moldes do que se passou em 1997, quando o governo foi forçado a demitir-se.

O sufrágio universal para ambos os sexos tem estado em vigor em toda a Turquia desde 1933, estando assegurado por lei o direito de voto a todos os cidadãos turcos com mais de 18 anos de idade. Em 2004, havia 50 partidos políticos registados no país. O Tribunal Constitucional pode retirar o financiamento público ou banir os partidos políticos considerados anti-seculares ou separatistas.

O parlamento tem 550 deputados, os quais são eleitos para mandatos de quatro anos em listas partidárias de representação proporcional, uma por cada um dos 85 círculos eleitorais. Estes círculos representam as 81 províncias administrativas da Turquia. Devido ao elevado número de votantes, aprovíncia de Istambul é dividida em três círculos, enquanto a de Ancara e Esmirna são divididas em dois cada uma. Para evitar um parlamento dividido e uma excessiva fragmentação política, só os partidos que com pelo menos 10% dos votos a nível nacional teem direito a representação parlamentar. Devido a este limite, nas eleições de 2007 apenas três partidos, ingressaram formalmente no parlamento. Em 2002 só dois partidos conseguiram representação parlamentar.

Os direitos humanos na Turquia teem sido objeto de muita controvérsia e condenação internacional. Entre 1998 e 2008, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos emitiu mais de 1 600 sentenças contra a Turquia por violações dos direitos humanos, particularmente por violações do direito à vida e pelo uso de tortura. Outras questões, como os direitos dos curdos, os direitos das mulheres e a liberdade de imprensa também teem gerado controvérsia. O historial da Turquia em matéria de direitos humanos continua a ser um obstáculo significativo à futura adesão à União Europeia. A firma de advogados estadounidense Tsimpedes Law moveu uma ação popular contra o estado turco nos tribunais de Washington, D.C. pela "negação ao acesso e usofruto de terras e propriedades no Norte do Chipre". A ação judicial foi originalmente iniciada por cipriotas gregos refugiados desde a invasão turca de Chipre em 1974, mas entretanto já se juntaram a ela alguns compradores americanos de propriedades no Chipre os quais nunca chegaram a receber os títulos de propriedade.

sábado, 11 de junho de 2011

O Panamá e sua História

Passei alguns dias na cidade do Panamá e descobri um pouco de sua história repleta de interesses dos norte-americanos. Convido vocês para conhecer esse local e sua importância para a América e para o mundo.


História do Panamá

A História do Panamá surge atrelada ao desejo histórico de construção de um canal marítimo que interligasse o Caribe e o Oceano Pacífico.
O território da República de Panamá era anteriormente administrado pela Colômbia. Este país iniciou negociações no início do século XX com os Estados Unidos, após uma mal-sucedida tentativa de empresários da França, para que fosse realizada a construção do Canal do Panamá, que possibilitaria o trânsito de embarcações entre os Oceanos Atlântico e Pacífico com a conseqüente facilitação e aumento do comércio mundial.
Residência panamenha tradicional
Todavia o Senado Colombiano não ratificou o Tratado Hay-Herran, que permitiria o aluguel da área do Canal do Panamá pelos norte-americanos por 99 anos e o reinício das obras de construção do Canal. Desta forma, a saída encontrada por Roosevelt foi estimular a criação de um novo país na região do Istmo do Panamá, atendendo a um desejo latente por indepência no Panamá cuja origem remonta a meados do século XIX.

A independência do Panamá

Em 3 de novembro de 1903 um grupo de habitantes locais foi encorajado por Estados Unidos e França a declarar a independência do Panamá. Menos de três semanas depois o recém-formado governo assinou o Tratado Hay-Bunau-Varilla com o governo dos Estados Unidos. As obras de construção do Canal do Panamá foram assumidas pelos norte-americanos em 1904 e se estenderam por dez anos. O governo da Colômbia, no entanto, somente admitiu a Independência do Panamá em 34 de fevereiro.
O presidente estado-unidense Theodore Roosevelt estava convencido de que os Estados Unidos podiam terminar o projeto, e reconheceu que o controle estado-unidense da passagem do Atlântico ao Pacífico seria de uma importância militar e econômica considerável. O Panamá fazia então parte da Colômbia, de modo que Roosevelt começou as negociações com os colombianos para obter a permissão necessária. No início de 1903, o Tratado Hay-Herran foi assinado pelos dois países, mas o Senado colombiano não o ratificou. No que foi então, e ainda hoje é, um movimento polêmico, Roosevelt deu a entender aos rebeldes panamenhos que, se eles se revoltassem contra a Colômbia, a marinha estado-unidense apoiaria a causa de independência panamenha. O Panamá acabou por proclamar sua independência em 3 de Novembro de 1903, e o U.S.S. Nashville, em águas panamenhas, impediu toda e qualquer interferência colombiana.
Quando as lutas começaram, Roosevelt ordenou à Marinha estado-unidense estacionar navios de guerra perto da costa panamenha para "exercícios de treinamento". Muitos argumentam que o medo de uma guerra contra os Estados Unidos obrigou os colombianos a evitarem uma oposição séria ao movimento de independência. Os panamenhos vitoriosos devolveram o favor a Roosevelt permitindo aos Estados Unidos o controle da Zona do canal do Panamá em 23 de Fevereiro de 1904 por US$ 10 milhões (como previsto no Tratado Hay-Bunau-Varilla, assinado em 18 de Novembro de 1903).

Após a independência

Durante o século XX oligarquias panamenhas controlaram o governo do país, inclusive através de golpes de estado. Os Estados Unidos permaneceram influentes na política do Panamá, visto que ainda administrariam o Canal até 1999 (conforme acordos de 1977), e a estabilidade política do Panamá permaneceria vital para os interesses norte-americanos desde então.
Presidente Martín Torrijos
Fonte: Ricardo Stuckert/ABr. 4.Aug.2004
Após rusgas nas relações Estados Unidos-Panamá, inclusive com uma invasão norte-americana no país em 1989 para depôr o presidente General Manuel Noriega, a administração do Canal do Panamá, da área territorial próxima ao Canal e de bases norte-americanas reminiscentes no país foi transferida para o governo da presidente panamenha Mireya Moscoso, democraticamente eleita em 1999. O governo de Moscoso foi marcado por programas sociais e políticas educacionais, além de estímulos ao comércio internacional do Panamá. Durante o governo Moscoso escândalos de corrupção abalaram a popularidade da presidência.
Em 2004 o candidato oposicionista Martín Torrijos venceu as eleições presidenciais do Panamá. Seu governo iniciou-se em 1 de setembro do mesmo ano.

Política do Panamá

O Panamá é uma república com três ramos de governo: os ramos executivo e legislativo são eleitos por voto direto para mandatos de 5 anos, e o judiciário é nomeado de forma independente.
O poder executivo é dirigido por um presidente e dois vice-presidentes. O poder legislativo é exercido por uma Assembleia Legislativa unicameral de 72 membros. O poder judicial é dominado por um Supremo Tribunal de nove membros e inclui todos os tribunais e juízos municipais. Um Tribunal Eleitoral autónomo supervisiona o registo dos eleitores, o processo eleitoral e as atividades dos partidos políticos. O voto é obrigatório para todos os cidadãos com mais de 18 anos, se bem que os que não cumpram a obrigação não sejam tramados.
Celebraram-se eleições gerais em 2 de Maio de 2004. A corrida presidencial foi ganha por Martín Torrijos, filho do antigo ditador Omar Torrijos. Torrijos assumiu a presidência a 1 de Setembro de 2004. O anterior presidente foi Mireya Moscoso.

Martín Torrijos

Martín Erasto Torrijos Espino (Chitré, 18 de julho de 1963) é um político panamenho, presidente de seu país desde 1 de setembro de 2004.
Torrijos, casado e pai de três filhos, é filho postumamente reconhecido de Omar Torrijos Herrera, que foi nomeado como chefe de Governo da República do Panamá entre os anos de 1968 e 1978.
Estudou Ciências Políticas e Economia na Texas A&M University, nos Estados Unidos.

Omar Torrijos

Omar Efraín Torrijos Herrera (Santiago de Veraguas, 13 de fevereiro de 1929 – 31 de julho de 1981) foi um militar do exército e líder do Panamá de 1968 até 1981.
Torrijos nunca disputou uma eleição no Panamá, e nunca foi presidente. Ele se auto-intitulava "Lider Máximo da Revolução Panamenha" durante o final da década de 1970. O seu filho Martín Torrijos, ganhou uma eleição presidencial em 1 de maio de 2004, assumindo o cargo em 1 de setembro de 2004.
  1. Em 1954 Omar Torrijos torna-se presidente do Panamá com ideias de implantar um sistema totalmente diferente do que estava estabelecido. Omar desejava "Devolver e Libertar" o canal do Panamá ao povo do seu país.
Os EUA (Estados Unidos da América) não gostaram das ideologias implantadas pelo presidente. Logo o governo norte-americano tratava de ter uma "conversa" com Omar Torrijos.
Supostamente envolvia nesta reunião a pergunta: O que o Tio Sam poderia fazer para que o presidente panamenho fosse para o lado deles? Porém para a decepção dos EUA, Torrijos não aceitou tais regras impostas e acabou criando novos inimigos.
Em julho de 1981 falece Omar Torrijos em um grave acidente aéreo que comoveu todo o país. Há fortes suspeitas de que o avião não caiu por falha mecânica ou humana, mas sim por "Chacais" da CIA.

Manuel Noriega

Manuel Antonio Noriega (Cidade do Panamá, 1934) é um ex-líder militar e estadista panamenho, governante de fato do país entre 1983 e 1989.

Manuel Noriega recebeu formação militar na escola militar de Chorrillos (Peru), quando regressa ao Panamá ingressa na Guardia Nacional (GN).
Esteve ligado ao golpe de estado que derrubou o Governo de Arnulfo Arias, sendo recompensado com a promoção a Tenente-Coronel. Iniciou os seus contactos com a CIA, onde já estivera para receber treino em contra-espionagem, por esta altura começa a ser noticiado o seu envolvimento no tráfico de droga.
Em 1982 passa a chefiar o Estado Maior, autopromovendo-se ao posto de general, com o poder absoluto sobre o Exército, atuando como se fosse o presidente do pais iniciando um regime déspota.
Por volta de 1986 surgiram suspeitas relativas a sua ligação com a CIA, de que se viria a provar que era agente, chegaram a opinião pública, o que constituiu um enorme embaraço a administração norte-americana, assim como o seu envolvimento no narcotráfico internacional e na lavagem de dinheiro.
Dessa forma o presidente norte-americano George Bush ordena a invasão do Panamá (Operação Justa Causa) em dezembro de 1989 cujo objetivo é capturar Noriega. Esse ataque durou duas semanas e calcula-se em 3.000 baixas, na sua maioria civis das aréas mais pobres do país, e 19 militares norte-americanos.
Noriega esteve escondido na casa da sua amante Vicky Amado, até que se mudou para a Nunciatura Apostólica do Panamá em 24 de dezembro, protegido pelo Núncio Sebástian Laboa, que aparentemente o convenceu a se entregar juntamente com o chefe da sua escolta, o capitão Eliécer Gaitán.
A 3 de Janeiro de 1990 entrega-se ao exército americano, no dia seguinte subiu a um avião com destino a Miami com o intuito de ser julgado. Foi condenado a 30 anos de prisão pelo tráfico de cocaína e marijuana para os Estados Unidos.