quarta-feira, 13 de abril de 2011

Paquistão e a Blasfemia


Paquistão

O Paquistão (em urdu پاکستان , oficialmente República Islâmica do Paquistão, اسلامی جمہوریۂ پاکستان), é um país do sul da Ásia. Localizado na região onde convergem o sul da Ásia, a Ásia Central e o Oriente Médio, o país limita com o Irã e o Afeganistão a oeste, a China a nordeste e a Índia a leste, ademais de ser banhado pelo Mar Arábico ao sul, com um litoral de 1 046 km de extensão.
O Paquistão é o sexto país do mundo em população e possui uma das maiores populações muçulmanas do planeta. Seu território pertenceu à Índia Britânica e tem uma longa história de assentamento e civilização, inclusive a civilização do Vale do Indo. A região já foi invadida por gregos, persas, árabes, afegãos, turcos e mongóis. Foi incorporado à Índia Britânica no século XIX. Desde a sua independência, o país tem se caracterizado por períodos de crescimento militar e econômico intercalados com instabilidade política.
O país foi oficialmente fundado como o Domínio do Paquistão em 1947, sob a chefia de Muhammad Ali Jinnah e a Liga Muçulmana, e foi renomeado República Islâmica do Paquistão em 1956. O Paquistão foi membro fundador da Organização da Conferência Islâmica, da Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional, do D8 e da Organização para Cooperação Econômica. Também é membro das Nações Unidas, da Organização Mundial do Comércio, do G33 e do Grupo dos 77. O Paquistão é uma potência nuclear, com um arsenal de armas atômicas.
Sua capital é Islamabad e sua maior cidade, Karachi.
Segundo J.P. Machado, o topônimo "Paquistão" foi criado em 1933 por Chaudhary Rahmat Ali para designar as regiões muçulmanas a noroeste da Índia, a partir das iniciais de Pandjab (Panjabe), Afghan (para os povos afegãos da área) e Kashmir (Caxemira), com o sufixo -stan (que representa o Baluchistão e significa "terra" em persa), formando PAKSTAN. Os paquistaneses relacionam o topônimo com o vocábulo pak ("puro", em persa e urdu), que daria ao nome do país o sentido de "Terra dos Puros".
O Estado moderno do Paquistão foi criado em 14 de agosto de 1947, na forma de dois territórios majoritariamente muçulmanos nas porções leste e noroeste da Índia Britânica, separados pela Índia, de maioria hindu. Integravam o Paquistão independente as províncias do Baluchistão, Bengala Oriental (futuro Paquistão Oriental e, mais tarde, Bangladesh), Fronteira Noroeste, Panjabe Ocidental e Sinde. A partilha da Índia Britânica resultou em distúrbios na Índia e no Paquistão - milhões de muçulmanos mudaram-se para o Paquistão, e milhões de hindus e siques mudaram-se para a Índia. Surgiram controvérsias entre os dois novos países quanto a diversos Estados principescos, como Jammu e Caxemira, cujo governante aderiu à Índia após uma invasão de guerreiros pachtos; como consequência, a Primeira Guerra Indo-Paquistanesa (1948) terminou com a ocupação pela Índia de cerca de dois-terços de Jammu e Caxemira.
Entre 1947 e 1956, o Paquistão foi um Dominion na Comunidade Britânica de Nações. A república, declarada em 1956, assistiu a um golpe de Estado por Ayub Khan (1958-1969), que presidiu o país durante um período de instabilidade interna e a segunda guerra com a Índia, em 1965. Seu sucessor, Yahya Khan (1969-1971), teve que lidar com o ciclone que causou 500 000 mortes no Paquistão Oriental.
A eclosão de discordâncias econômicas e políticas no Paquistão Oriental levou a uma violenta repressão política, que fez com que as tensões escalassem até chegar à guerra civil, conhecida como guerra de independência do Bangladesh, e a um novo conflito com a Índia. Como consequência, o Paquistão Oriental declarou-se independente, com o nome Bangladesh, em 1971. As estimativas sobre o número de mortos nesse episódio variam consideravelmente, entre mais de 30 000 e menos de 2 milhões, a depender da fonte.

Entre 1972 e 1977, os civis voltaram a governar o país, sob a chefia de Zulfikar Ali Bhutto, até que este foi deposto e posteriormente sentenciado à pena de morte, quando o General Zia-ul-Haq se tornou o terceiro presidente militar do Paquistão. Zia substituiu as políticas seculares pelo código legal da charia islâmica, o que aumentou a influência religiosa sobre o funcionalismo público e os militares. Com a morte de Zia num acidente aéreo em 1988, Benazir Bhutto, filha de Zulfikar Ali Bhutto, foi eleita para o cargo de primeira-ministra do Paquistão - a primeira e única mulher a ocupar o posto. Ao longo da década seguinte, Benazir alternou-se no poder com Nawaz Sharif, enquanto que a situação política e econômica do país piorava.
O Paquistão enviou 5 000 soldados à Guerra do Golfo, em 1991, para proteger a Arábia Saudita. Às tensões militares durante o conflito de Kargil com a Índia seguiu-se um golpe de Estado, em 1999, no qual o General Pervez Musharraf assumiu o poder Executivo. Em 2001, Musharraf autonomeou-se presidente, com a renúncia forçada de Rafiq Tarar. Após as eleições legislativas de 2002, Musharraf transferiu os poderes executivos para um recém-eleito primeiro-ministro, Zafarullah Khan Jamali. Em 15 de novembro de 2007, o mandato da Assembléia Nacional expirou, o que levou à constituição de um governo provisório chefiado pelo ex-presidente do Senado, Muhammad Mian Soomro. O assassinato em dezembro de 2007 de Benazir Bhutto reflete a instabilidade do sistema político paquistanês.
Em setembro de 2008, Musharraf renunciou à presidência do país, que após eleições indiretas, elegeu Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, como presidente.
Pelos primeiros nove anos após a independência, o governo do Paquistão baseou-se no Government of India Act, de 1935 (a última constituição da Índia Britânica). A primeira constituição paquistanesa, promulgada em 1956, foi suspensa em 1958 pelo General Ayub Khan. A constituição de 1973, suspensa em 1977 por Zia-ul-Haq, foi retomada em 1991 e é o documento legal mais importante do país.
O Paquistão é uma república semipresidencialista federal que tem o Islã como religião oficial. O poder Legislativo é bicameral e divide-se entre o Senado, com 100 cadeiras, e a Assembleia Nacional, com 342 assentos. O presidente, escolhido por um colégio eleitoral, é o chefe de Estado e o comandante-em-chefe das forças armadas. O primeiro-ministro é geralmente o chefe do maior partido representado na Assembleia Nacional. Cada província possui um sistema de governo similar ao federal, com uma assembleia provincial eleita pelo voto direto na qual o líder do maior partido é o chefe de governo. Os governadores provinciais são nomeados pelo presidente.
As forças armadas paquistanesas têm desempenhado um papel influente na política do país. Ao longo da história, presidentes militares governaram entre 1958-1971, 1977-88 e de 1999 em diante. O PPP, de esquerda, chefiado por Zulfikar Ali Bhutto, emergiu como um grande partido político durante os anos 1970. Durante o governo militar de Muhammad Zia-ul-Haq, o Paquistão deixou para trás as políticas de secularismo herdadas do Reino Unido, ao adotar a charia e outras leis baseadas no Islã. Os anos 1990 foram caracterizados por um sistema político de coalizão dominado pelo PPP e pela Liga Muçulmana.
Nas eleições gerais de outubro de 2002, a Liga Muçulmana do Paquistão ganhou a maioria dos assentos da Assembleia Nacional, seguido por uma facção do PPP, os Parlamentares do Partido do Povo Paquistanês (PPPP). Zafarullah Khan Jamali, da Liga Muçulmana, tornou-se primeiro-ministro, mas renunciou em 26 de junho de 2004 e foi substituído interinamente por Chaudhry Shujaat Hussain. Em 28 de agosto de 2004, a Assembleia Nacional elegeu Shaukat Aziz, até então o ministro da Fazenda, como primeiro-ministro. A Muttahida Majlis-e-Amal, uma coalizão de partidos religiosos islâmicos, venceu eleições na província da Fronteira Noroeste, ampliando sua bancada na Assembleia Nacional.
Em 3 de novembro de 2007, o Presidente Pervez Musharraf declarou estado de emergência e suspendeu a constituição. Chefes políticos da oposição foram colocados em prisão domiciliar e o presidente da Suprema Corte foi substituído. Em resposta, a Comunidade Britânica de Nações suspendeu a participação do país em suas deliberações.
Depois de eleições em Fevereiro de 2008, a "Commonwealth" retirou a suspensão.
De caráter completamente voluntário, as forças armadas do Paquistão são as sétimas maiores do mundo. As três principais forças são o exército, a marinha e a força aérea, apoiadas por algumas organizações paramilitares responsáveis pela segurança interna e pela patrulha das fronteiras.
O Paquistão é uma potência nuclear.
As forças armadas paquistanesas estão entre os maiores contribuintes de tropas para operações de manutenção da paz das Nações Unidas; mais de 10 000 homens foram empregados nessa área em 2007. O Paquistão enviou um contingente à primeira guerra do Golfo.
O Paquistão participa ativamente das Nações Unidas e da Organização da Conferência Islâmica. Integra também a Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional e a Organização para Cooperação Econômica. No passado, as relações do Paquistão com os Estados Unidos passaram por períodos de aproximação e de afastamento. Nos anos 1950, o país, membro da CENTO e da SEATO, era visto pelos EUA como o "aliado mais aliado na Ásia". Durante a invasão soviética do Afeganistão, nos anos 1980, o Paquistão foi um aliado crucial dos EUA, mas as relações esfriaram nos anos 1990, com a aplicação de sanções pelos EUA, que suspeitavam as atividades nucleares paquistanesas. A partir dos ataques de 11 de setembro de 2001, as relações bilaterais melhoraram, especialmente depois que o Paquistão deixou de apoiar o regime dos talibãs, em Cabul. Com isto, a ajuda militar estadunidense foi fortemente ampliada.
O Paquistão é um país em desenvolvimento com um rápido crescimento econômico (7% anuais por quatro anos consecutivos até 2007) e um grande mercado emergente. Apesar de ter sido um país pobre em 1947, a taxa de crescimento econômico do Paquistão foi mais alta do que a média mundial durante as quatro décadas seguintes. Embora políticas imprudentes tenham reduzido o ímpeto da economia no final dos anos 1990, reformas econômicas recentes voltaram a acelerar o crescimento do país, em especial na área de manufaturas e de serviços financeiros. A situação cambial melhorou consideravelmente, com o acúmulo de divisas. A dívida externa, estimada em cerca de USD 40 bilhões, foi reduzida nos últimos anos devido à assistência do FMI e ao auxílio financeiro dos EUA.
Estima-se que o PIB paquistanês (PPC) em USD 475,4 bilhões e a renda per capita, em USD 2 942. A taxa de pobreza é estimada entre 23% e 28%. As taxas de crescimento econômico do Paquistão têm sido altas nos últimos cinco anos terminados em 2007, mas as pressões inflacionárias e um baixa poupança nacional, dentre outros fatores, podem dificultar a manutenção desse ritmo.
A estrutura da economia paquistanesa passou de uma base predominantemente agrícola para outra fortemente ligada ao setor de serviços. A agricultura hoje responde por cerca de 20% do PIB, enquanto que o setor de serviços corresponde a 53% do PIB, dos quais 30% referem-se ao comércio de atacado e de varejo. O país tem recebido investimento direto estrangeiro em diversas áreas, como telecomunicações, imóveis e energia. Software, automóveis, têxteis, cimento, fertilizantes, aço, construção naval, indústria bélica e segmento aeroespacial também são setores industriais importantes.
Em novembro de 2006, China e Paquistão assinaram um acordo de livre comércio com o qual pretendem triplicar o comércio bilateral, de USD 4,2 bilhões para USD 15 bilhões nos próximos cinco anos. As exportações paquistanesas em 2007 atingiram USD 20,58 bilhões.

13/04/2011
 às 6:49

Esta católica foi condenada à morte por blasfêmia pelos islâmicos do Paquistão. Quem ergue a voz em sua defesa?

asia-bibi-doisEscrevi aqui outro dia que a religião verdadeiramente perseguida no mundo hoje é o cristianismo. O mundo se levantou em defesa da iraniana Sakineh — uma islâmica condenada por um tribunal ligado à sua própria religião. E fez bem! Pois é! No Paquistão, Asia Bibi, uma católica, foi condenada à morte segundo a lei islâmica.  Ele é acusada de blasfêmia. No trabalho, diante da insistência para que abandonasse o cristianismo, ela teria afirmado: “Jesus está vivo, mas Maomé está morto. Nosso Cristo é o verdadeiro profeta de Deus. Foi levada a um tribunal e sentenciada à morte. Deve ser a tal tolerância islâmica de que tanto se ouve falar…
Asia Bibi está numa solitária, doente, sem cuidados médicos.
Um islâmico matar um islâmico no Irã parece coisa horrível. E é! Por que  o silêncio quando a condenada é uma católica? Anteontem, a Rádio do Vaticano divulgou este comunicado:
Islamabad, 11 abr (RV) - A Igreja no Paquistão celebrará no próximo dia 20, quarta-feira da Semana Santa, o Dia de Oração por Asia Bibi e por todas as vítimas da lei sobre a blasfêmia.
A iniciativa foi lançada pela Fundação Masihi a todas as Igrejas cristãs espalhadas pelo mundo. O organismo “pede aos homens e mulheres de boa vontade para que se unam em oração e acendam uma vela, implorando a Deus a salvação e a libertação de Asia Bibi e de todos aqueles que sofrem as conseqüências das falsas acusações de blasfêmia” - ressaltou o diretor da Fundação Masihi, Haroon Masih.
O Bispo de Multan, Dom Andrew Francis, Presidente da Comissão para o Diálogo Inter-religioso na Conferência Episcopal do Paquistão, aderiu à iniciativa e frisou que “a oração é um instrumento importante para os fiéis paquistaneses que confiam na obra de Deus”. Também as Pontifícias Obras Missionárias no Paquistão aderiram ao evento, afirmando que tal iniciativa ajudará a sensibilizar as comunidades locais.
Também aderiram à iniciativa de oração, vários mosteiros femininos da Espanha e Itália. As monjas rezarão por Asia Bibi e para que o Senhor Ressuscitado abra os corações de todos a fim de que seja edificado o seu Reino de paz e justiça.
O presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean Louis Tauran, presidirá a celebração eucarística, no próximo dia 20, na capela do Parlamento Italiano A missa é promovida pela Associação Parlamentares Amigos do Paquistão e pela Associação de Paquistaneses Cristãos na Itália, a fim de lembrar o ministro para as minorias religiosas, Shahbaz Bhatti, assassinado recentemente no Paquistão, que defendeu Asia Bibi, pagando o preço com sua própria vida.
A Fundação Masihi faz um apelo a todas as comunidades, paróquias, associações, escolas, congregações religiosas e todas as Igrejas cristãs espalhadas pelo mundo para que se unam ao Dia de Oração por Asia Bibi e por todas as vítimas da lei sobre a blasfêmia.
As três filhas de Asia Bibi apelam por sua vida
As três filhas de Asia Bibi apelam por sua vida
Por Reinaldo Azevedo

Paquistão: ministro que queria reformar lei de blasfêmia é assassinado

Foto: AFP
Shahbaz Bhatti disse à BBC ter sofrido ameaças de morte
O Ministro paquistanês para as Minorias, Shahbaz Bhatti, foi morto por dois homens que abriram fogo contra seu carro na capital Islamabad, segundo informações de funcionários de um hospital.
Bhatti estava passando por um bairro residencial a caminho do trabalho, quando o veículo em que viajava foi atingido por vários tiros.
Bhatti, de 42 anos, era o único ministro cristão do gabinete e um dos líderes do Partido Popular do Paquistão, que governa o país.
Em Janeiro, ele disse à BBC que iria ignorar ameaças de morte que ele havia recebido de militantes islâmicos por sua tentativa de reformar a lei da blasfêmia no país.
A lei da blasfêmia prevê a pena de morte para qualquer um que insulte o islã, mas Bhatti alegava que ela era usada para perseguir minorias religiosas.
“Me disseram que se eu continuar a campanha contra a lei da blasfêmia, eu serei assassinado, eu serei decapitado, mas as forças da violência, as forças do extremismo não conseguem me atingir, não conseguem me ameaçar”, ele disse.
No dia 4 de janeiro, o governador da Província de Punjab Salman Taseer, que também havia criticado a lei da blasfêmia, foi morto por um de seus seguranças.

Milhares marcham no Paquistão contra mudança na lei da blasfêmia

Cerca de 50 mil pessoas de vários partidos religiosos se reuniram em Karachi neste domingo para se opor às mudanças em uma controversa lei da blasfêmia
Cerca de 50 mil pessoas de vários partidos religiosos se reuniram em Karachi neste domingo (9) para se opor às mudanças em uma controversa lei da blasfêmia, informou a polícia.
A demonstração de força destaca a dificuldade de reverter a maré de conservadorismo religioso após o assassinato na terça-feira do governador da maior província do país, que morreu por apoiar mudanças na lei sobre a blasfêmia.
Salman Taseer, governador de Punjab, foi morto em Islamabad por Malik Mumtaz Hussain Qadri, um de seus próprios guarda-costas.
Syed Munawar Hasan, chefe do Jamaat-e-Islami, disse que não havia necessidade de chorar a morte de Taseer, enquanto o líder do Jamiat-e-Ulema-e-Pakistan, da seita Barelvi, elogiou Qadri como herói do Islã.
"Há um Mumtaz Qadri em cada casa do Paquistão", afirmou Sahibzada Abul Khair Muhammad Zubair à multidão.
A lei sobre a blasfêmia tem sido objeto de muita atenção depois que uma mulher cristã, Aasia Bibi, foi condenada à morte no ano passado sob acusações classificadas por Taseer como falsas.
"Nós não vamos aceitar qualquer mudança nesta lei", disse Fazl-ur-Rehman, chefe da Jamiat-e-Ulema-e-Islam, grupo religioso pró-Taleban que deixou a coalizão de governo no mês passado após a demissão de um de seus ministros.
Rehman disse que o governo em si é responsável pelo assassinato de Taseer. Se ele tivesse sido demitido do cargo e preso por seus comentários, ainda estaria vivo, disse ele.
"E agora que vocês levaram o caso de Taseer à corte, também temos o direito de defender Mumtaz Qadri."
O forte apoio a Qadri tem desanimado os liberais paquistaneses e aliados estrangeiros, como os Estados Unidos, que veem o crescente extremismo no Paquistão como uma ameaça à segurança.
Embora os muçulmanos não tenham obtido muitos assentos nas eleições, eles têm a capacidade de levar as pessoas para as ruas.






terça-feira, 12 de abril de 2011

True Outspeak - 6 de abril de 2011

Olavo de Carvalho fala sobre a política esquerdista americana na atualidade, e sobre as concessões que os USA vem fazendo para com seus inimigos.
A "democracia" no Iraque, George Bush e a guerra apoiada e em seguida reprovada.
A intervenção na Líbia e o ataque aos aliados nos países árabes e a política do Obama em dar armas para inimigos externos.
Obama falsificou documentos para sua candidatura, desde a certidão de nascimento até um documento militar. Parece haver evidencias que Obama nunca foi aluno da Universidade de Columbia.
Sobre atos de guerra, pensado pelo secretário da guerra americano.
Em Roma, Congresso Científico do Concilio Vaticano II quer modificar 50 anos depois os escritos dos documentos, fazendo a analise científica.
No Brasil, o general Heleno foi proibido de comemorar o 31 de março, impedido pelo general Peri com suas ordens prepotentes. As forças amadas perderam o direito de contar a sua historia, tendo que engolir a fábula da esquerda. Graças ao pensamento de submissão ao governo da situação e aos seus planos de aposentadoria.
Governo brasileiro atual criou um controle da opinião publica muito maior que na ditadura militar e pessoas sofrem censuras nas universidades... a esquerda no poder acabou com a direita no país, enquanto na ditadura a esquerda foi tolerada.
A criminalização de opinião de maioria do povo brasileiro.
O convite a corrupção, nao existia na ditadura, diferentemente da atualidade onde o maior esquema de corrupção se instaurou e foi descoberto em 2005.
A China potência marítima...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Você é Hipossuficiente?

Sergio Lewin escreveu um artigo citando a Divina Comedia de Dante Alighiere na qual assino em baixo e que me faz perguntar a cada um dos brasileiros: Você se considera Hipossuficiente? Se a resposta da maioria for sim, estamos realmente com um governo assertivo. Porém, se a resposta for negativa, precisamos lutar pelo nosso livre-arbítrio.

Leiam o Artigo:

O Portal da vida

Abril 7, 2011
Autor: Sergio Lewin

‘Deixai toda esperança, ó vós que entrais!’
(Dante Alighieri)
Dante Alighieri divide em três partes sua grande obra “Divina Comédia’, sendo a primeira ‘O Inferno’ e as outras duas o ‘Purgatório’ e o ‘Paraíso’. O Portal do Inferno não tem trancas, somente um arco com um aviso que adverte: uma vez dentro, deve-se abandonar toda a esperança, pois de lá não se pode voltar. A alma só tem livre-arbítrio enquanto viva, estágio em que pode optar pelo céu ou pelo inferno. Depois de morta, perde o discernimento e a capacidade de tomar decisões. Se na acepção de Dante não poder tomar decisões é estar morto, a sociedade brasileira está se aproximando de uma situação infernal. Há no ethos deste país, como que marcado em seu gene, um sentimento de menos-valia que se expressa perfeitamente no termo “hipossuficiência” o qual, não por acaso, encontra-se plasmado em seus códigos e leis. Hipossuficiente seriam os segmentos da sociedade que, por razões econômicas, culturais ou sociológicas, se revelam incapazes de tomar decisões por si próprios, merecendo uma tutela estatal reguladora.
O problema é que, no Brasil, não são apenas algumas minorias ou grupos específicos os considerados hipossuficientes, mas virtualmente a população como um todo. Segundo esta concepção, os trabalhadores, por sua própria natureza, não estão aptos a cuidar de seus interesses, então precisam de uma legislação que regule sua relação com o empregador. Os consumidores igualmente, para não serem lesados, necessitam de um código de defesa altamente protetivo. Trabalhadores e empregadores não sabem cuidar do fruto do seu trabalho, então é necessário que parte dos seus ganhos fique com o Estado para que este administre suas poupanças através da previdência pública. E já que o Estado precisa ser onipotente e onisciente neste país de despreparados, que lhe sejam providos inesgotáveis recursos através de uma feroz tributação.
É evidente que, neste ambiente, não demoraríamos para embarcar também na onda das regulações da vida privada dos indivíduos, definindo que tipo de comida estes podem ingerir e também os remédios que os médicos podem lhes prescrever. Tratar as pessoas como hipossuficientes não é senão o desdobramento de uma ideologia e e uma deliberada estratégia de dominação estatal que teima em se manter ativa no Brasil, a despeito de todas as demonstrações de que é a sociedade civil, com seu dinamismo e empreendedorismo, a responsável pelo desenvolvimento que impulsiona o país. Fariam melhor as autoridades se, ao invés de procurar tutelar a vida das pessoas “from de womb to the tomb” (do berço ao túmulo), investissem em campanhas inteligentes de esclarecimento, tratando-as como adultas, inteligentes e responsáveis por suas próprias escolhas, restituindo- lhes o livre-arbítrio. O que, na acepção de Dante, significa devolver- lhes a esperança, a vida e a própria condição humana.
Fonte: O Globo, 07/04/2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Costa do Marfim e a ONU


06/04/2011
 às 6:29

A ONU esculhambou de vez!

A ONU já não era grande coisa. Agora esculhambou de vez. A única coisa boa disso é ver o Arnaldo Jabor feliz na televisão — se os inimigos da nova ordem global não estiverem sob bombardeio, ele fica abúlico, fala mal do Bush e anuncia o apocalipse!
Olhem aqui: as forças de Laurent Gbagbo, presidente de fato da Costa do Marfim, um facínora que se nega a sair do poder, foram bombardeadas ontem pela… ONU!!! Objetivo? Fazer o que for possível, como no caso da Líbia, para “proteger civis”. Até se poderá dizer que a situação é um pouquinho diferente. Gbagbo perdeu as eleições para o  facínora da oposição, Alassane Ouattara, e deveria ter deixado o poder em dezembro, mas se nega.  Na Líbia, ninguém foi eleito, né? Nem Kadafi nem seus adversários.
Quattara fez o quê? Pressão internacional, mobilização, denúncia à ONU? Não! Armou suas milícias e foi à luta. Até aí, dirá o leitor crédulo, tudo para defender a democracia. Só que foi massacrando civis pelo caminho, partidários de Gbagbo, que também massacra os civis adversários, entendem?
Aí a ONU foi lá “proteger civis”, e os capacetes azuis mandaram bomba nos facínoras de Gbagbo, abrindo caminho para os facínoras de Quattara. E foram os franceses que mais gostosamente botaram pra quebrar — sob o mandato das Nações Unidas, eles destacam. Sarkozy deve estar, assim, com um certo banzo dos gloriosos tempos da Argélia, quando a França explicava por A + B quanto valia o Iluminismo… Saibam que boa parte das modernas táticas de tortura em interrogatório foi desenvolvida por franceses , testando-as em argelinos, enquanto os torturadores cantavam A Marselhesa, aquele banco de sangue em versos… A propósito: a Costa do Marfim era colônia francesa: “Deixa com a gente!”
Não dá! A ONU, agora, passou a ser uma força de intervenção em guerras civis. “Ué, mas ela não manda tropas sempre que necessário?” Sim, mas não para fazer o que está fazendo na Líbia ou na Costa do Marfim, apoiando, nos dois casos, um dos lados, também dado a matar os civis que a entidade deveria proteger. A própria Unicef, órgão da ONU, acusa os dois rivais de usarem até crianças nos combates. Mas Barack Obama, o Magnífico, e Sarkozu,  megalonanico da França, em nome daz paz, escolheram o seu bandido de estimação.
Por Reinaldo Azevedo



Costa do Marfim

A Costa do Marfim (em francês Côte d'Ivoire) é um país africano, limitado a norte pelo Mali e pelo Burkina Faso, a leste pelo Gana, a sul pelo Oceano Atlântico e a oeste pela Libéria e pela Guiné. Sua capital é Yamoussoukro.
Denomina-se ebúrneo, marfinês, costa-marfinês ou ainda costa-marfinense a quem é natural da Costa do Marfim.
Apesar de comumente se usar em português o nome Costa do Marfim, o governo marfinês solicitou à comunidade internacional em outubro de 1985 que o país seja chamado apenas por Côte d'Ivoire.
As populações indígenas estiveram política e socialmente isoladas até épocas muito recentes. Os antecessores da população atual se instalaram na área entre os séculos XVIII e XIX. Os exploradores portugueses chegaram no século XV e iniciaram o comércio de marfim e escravos do litoral. No século XVII estabeleceram-se diferentes Estados negros, entre os quais se destacou o dos baules por suas atividades artísticas. No final do século, os franceses fundaram os entrepostos de Assini e Grand-Bassam e, no século XIX, celebraram uma política de pactos com os chefes locais com o objetivo de estabelecer uma colônia. Em 1887 iniciou-se a penetração para o interior. A região se tornou uma colônia autônoma em 1893. Em 1899, passou a fazer parte da Federação da África Ocidental Francesa. A ocupação militar ocorreu entre 1908 e 1918, enquanto se construía a linha férrea entre o litoral e Bobo-Dioulasso, hoje pertencente a Burkina Faso.
Em 1919, a parte norte da colônia se tornou independente. Abidjan permaneceu sob jurisdição francesa durante a Segunda Guerra Mundial, embora a França estivesse ocupada pelos alemães. Em 1944, foi criado o Sindicato Agrícola Africano, que deu origem ao Partido Democrático da Costa do Marfim (Parti Démocratique de la Côte d'Ivoire). Entre 1950 e 1954, foi construído seu porto. Em 1958, foi proclamada a República da Costa do Marfim, como república autônoma dentro da Communauté française (Comunidade Francesa) e, em 1960, alcançou a independência plena.
Foi eleito presidente Félix Houphouët-Boigny, líder do Parti Démocratique de la Côte d'Ivoire -- Rassemblement Démocratique Africain, até 1990 foi a única agremiação política legal no país. Com um alinhamento político pró-ocidental, a Costa do Marfim esteve em foco na década de 1970, ao tentar intervir pela via das negociações na resolução do apartheid na África do Sul.
As eleições de 1990, a primeira em que houve uma disputa real pelo poder, foram disputadas por todos os partidos políticos já legalizados, tendo o presidente Houphouët-Boigny sido reeleito para um sétimo mandato. Também em 1990 o Papa João Paulo II visitou a Costa do Marfim, onde consagrou, em Yamoussoukro, uma suntuosa basílica, oficialmente construída às expensas do presidente. Houphouët-Boigny, apesar de numerosas tentativas de golpes de estado e da instabilidade social provocada por crises econômicas, manteve-se no poder desde a independência até dezembro de 1993, quando faleceu.
O antigo presidente da Assembléia Nacional (Parlamento), Henri Konan Bedié, assumiu a presidência da República em 1993 e foi confirmado no cargo em 1995. No dia 24 de dezembro de 1999, um golpe de Estado, comandado pelo general Robert Guel (Robert Guéï), destituiu o presidente Konan Bedié, que se refugiou na Embaixada da França e depois no Togo. O general Guel convocou todos os partidos políticos para formarem um governo de transição e prometeu que o retorno à democracia seria rápido. Esse foi o primeiro golpe de estado no país desde a sua independência em 1960.
Robert Guéï foi assassinado durante um levantamento encabeçado pelo Movimento Patriótico da Costa do Marfim em 2002. Foi sucedido por Laurent Gbagbo.
A Costa do Marfim desempenha importante papel na África e dentro da Entente.
Guerra civil da Costa do Marfim (2002-2004): O norte se rebelou. 10.000 boinas azuis da ONUCM (Força de Paz da ONU na Costa do Marfim), dentre os quais 4600 soldados franceses da Licorne (operação militar francesa para a Costa do Marfim) foram posicionadas entre os beligerantes.
76% da população é cidadã da Costa do Marfim e fala, predominantemente, francês. Desde que se estabeleceu como uma das economicamente mais prósperas nações de África ocidental que cerca de 20 % da sua população consiste em trabalhadores da vizinha Libéria, Burkina Faso e Guiné. Este fato tem originado permanentemente uma tensão crescente em anos recentes, principalmente devido ao fato de que grande parte destes trabalhadores são muçulmanos, enquanto que a população natural da Costa do Marfim é, essencialmente Cristã (principalmente católica romana) e animista. Ainda que não totalmente branca, 4% da população é de origem não africana. Há muitos descendentes de libaneses, cidadãos franceses, britânicos, e espanhóis. Há ainda uma minoria de missionários protestantes norte-americanos e canadianos. Ultimamente, cerca de 50 000 franceses e outros europeus têm saído da Costa do Marfim devido a fortes tensões sociais incitadas pelas forças revolucionárias locais que clamam ser contra a ocupação estrangeira em seu território, especialmente contra os franceses.
A economia da Costa do Marfim é baseada no cultivo principalmente do cacau, ele é um dos maiores exportadores do mundo, mas a divida desse pais chega a quase 15.608 milhões o país também atualmente chega a ser o maior exportador de óleo de palma (256 mil toneladas) - e o terceiro produtor de algodão (106 mil toneladas de fibras - 1995). As produções de borracha (83 mil toneladas - 1995) e de copra (43 mil toneladas - 1995), inexistentes antes 1960, bem como as lavouras de abacaxi (170 mil toneladas - 1995), bananas (211 mil toneladas - 1995) e açúcar (125 mil toneladas - 1995), se tornaram itens importantes da balança comercial. A recuperação do setor de madeira, que, em 1988, correspondia a um terço da receita de exportação, é mais recente.
No setor da pecuária e diante do problema de abastecimento em proteínas animais, a Côte d’Ivoire é obrigada a importar grandes quantidades de carne. Portanto, um amplo programa visando a desenvolver o potencial nacional foi lançado.
A economia também é baseada nas 1.600 indústrias do país, no total em todos os setores são 2.283 empresas privadas e 140 em que o estado é acionista majoritário. 74% das empresas se encontram na região de Abidjã, 4% em Bouaké e 2% em San Pedro, 20% em outras regiões. O sistema bancário marfinense é um dos mais desenvolvidos da África. Ele é composto de um banco de desenvolvimento, de dezesseis bancos comerciais, de uma dezena de representações internacionais e de dezesseis estabelecimentos financeiros. A Côte d’Ivoire pertence à “zona franca”, institucionalizada pela União Monetária Oeste Africana. Os sete estados membros (Benin, Burkina Faso, Côte d’Ivoire, Mali, Níger, Senegal e Togo) entregaram a emissão da moeda, o Franco CFA, e de maneira geral, as suas políticas monetárias a uma instituição, o Banco Central dos Estados da África do Oeste, cuja sede fica em Dacar (Senegal).
A Costa do Marfim é o maior produtor e exportador de cacau do mundo. Entre os principais produtos de exportação estão: banana, abacaxi, café e, até a segunda metade do século XX, era o maior explorador de marfim, daí o nome do país.

Nos trilhos

Por: Merval Pereira

O relatório final da Polícia Federal sobre o mensalão, que está na mesa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pode ser a peça que faltava para que a denúncia criminal seja feita antes de agosto, quando prescreve o crime de formação de quadrilha contra os 38 acusados do processo. O que impede a prescrição é a denúncia, que tem que ser feita pelo Ministério Público através do procurador-geral da República.

O relatório, fruto de seis anos de investigações, recoloca as coisas em seus devidos lugares e enterra a tentativa em curso de desqualificar o processo que foi acolhido pelo Supremo e tem uma novidade explosiva que, mais uma vez, leva o mensalão para dentro da campanha presidencial de Lula em 2002.

O ex-segurança e amigo de Lula, Freud Godoy - envolvido também no caso dos aloprados da campanha de 2006, apanhados tentando comprar um dossiê contra os candidatos tucanos - confessou à Polícia Federal que recebeu R$ 98,5 mil do esquema ilegal como pagamento pelos serviços de segurança prestados na campanha de 2002 e durante o período de transição, entre a vitória na eleição e a posse de Lula na Presidência.

Em 2005, quando estourou o caso do mensalão com a denúncia do presidente do PTB, o então deputado Roberto Jefferson, houve um momento decisivo na CPI que apurava os desvios.

Foi quando o marqueteiro Duda Mendonça confessou que recebeu parte do pagamento pela campanha presidencial de Lula em uma conta no exterior, dinheiro do esquema montado pelo empresário Marcos Valério que acabou conhecido como mensalão.

Não foram poucos os petistas que consideraram que ali havia chegado o fim da linha para o partido e o próprio governo, apanhados em falcatruas diversas.

O uso de dinheiro ilegal para pagamento da campanha presidencial tipificava crime de responsabilidade pelo presidente da República, pois o pagamento fora feito já com Lula no Planalto, e chegou-se a falar na oposição de pedido de impeachment contra o presidente.

Naquele momento delicado, os principais assessores de Lula chegaram a analisar, segundo depoimento do então secretário particular do presidente, Gilberto Carvalho, a hipótese de o presidente Lula não concorrer à reeleição.

Os então ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,chegaram certa vez a sugerir ao presidente Lula que fizesse um acordo com a oposição: em troca de poder cumprir todo o seu mandato, abriria mão da reeleição.

Há relatos de que Márcio Thomaz Bastos chegou a procurar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para tentar um acordo nesse sentido.

A oposição, no entanto, temia uma reação dos chamados "movimentos sociais", e o próprio Fernando Henrique alertou para o perigo de se criar um "Getulio vivo" com a deposição de Lula.

Chegaram à conclusão de que seria melhor deixá-lo "sangrando" até o fim do governo, certos de que ele seria derrotado na reeleição, um erro de cálculo grosseiro, como se pode constatar.

Agora, está comprovado que outro componente importante do esquema pessoal de Lula na campanha presidencial também recebeu dinheiro do que ficou conhecido como valerioduto, esquema de uso de dinheiro público montado por Marcos Valério para comprar apoio no Congresso ao governo Lula e locupletar os dirigentes petistas.

O relatório da PF traz mais provas confirmando o que já está no processo do Supremo: a maior parte do dinheiro para compra de políticos tinha como origem o fundo Visanet do Banco do Brasil.

A Polícia Federal também conseguiu provar que o banqueiro Daniel Dantas cedeu à chantagem do PT, depois de uma reunião com o então chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, e se comprometeu a dar uma "ajuda financeira" ao partido no valor de US$ 50 milhões, dos quais pelo menos R$ 3,6 milhões teriam sido repassados ao publicitário pouco antes de estourar o escândalo.

As novas provas da Polícia Federal servem para esvaziar a tentativa de refazer a história que estava em curso pelo PT, com a ajuda pessoal do ex-presidente Lula.

A indicação do deputado João Paulo Cunha, um dos mensaleiros, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados faz parte dessa manobra petista, que visava a constranger o Supremo no julgamento do mensalão que se avizinha, tratando os acusados como virtualmente absolvidos.

O ex-presidente Lula, que em 2005 fez um discurso à nação dizendo-se traído, tem se dedicado nos últimos anos a tentar apagar da História do país o maior escândalo de corrupção já registrado, alegando que se tratou de uma tentativa de golpe para tirá-lo do governo.

Ainda na Presidência, Lula recebeu no Palácio o ex-ministro José Dirceu, acusado pelo procurador-geral da República de ser o "chefe da quadrilha" do mensalão. Dirceu saiu alardeando que Lula se dedicaria, quando deixasse a Presidência, a esclarecer "a farsa" do mensalão para provar que ele não passara de um golpe político.

O próprio Lula, na campanha do ano passado, usou o palanque em que fazia a defesa da candidatura Dilma para acusar: "Mais uma vez (sic) se tentou truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito".

Também o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, expulso do partido ainda em 2005, e o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira, que pediu desfiliação na mesma época para evitar a expulsão, estão querendo que a direção partidária reconsidere suas situações.

Silvinho, como era conhecido, já não está mais entre os acusados pelo mensalão no processo do Supremo: através de um acordo com a Procuradoria Geral da República, aceitou fazer 750 horas de serviços comunitários em três anos, numa aceitação de culpa.

O crime de que ele era acusado, o de formação de quadrilha, pode prescrever ainda em agosto deste ano caso a condenação venha a ser de apenas um ano. Outras nove pessoas, entre elas, José Dirceu, estão acusadas nesse crime e podem ser beneficiadas pela prescrição.

O relatório final da Polícia Federal pode ajudar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a fazer a denúncia criminal antes de agosto ou então fortalecer a convicção dos juízes do Supremo, justificando uma eventual condenação pelo Supremo Tribunal Federal a pena maior que um um ano, o que anularia a prescrição.