quarta-feira, 6 de abril de 2011

Roberto Campos e o Liberalismo

Roberto Campos

Origem e formação

Filho de um professor e de uma costureira, ficou órfão de pai aos dois anos de idade. Seguindo o desejo da mãe, mudou-se para Minas Gerais, na cidade de Guaxupé, onde foi estudar Filosofia e Teologia num seminário católico. Deixou o seminário em 1937, às vésperas de sua ordenação.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, inicialmente, prestou concurso para escriturário do serviço público, neste concurso foi reprovado por não saber datilografar. Também tentou o concurso para inspetor de ensino, mas novamente teve de desistir - desta vez porque os diplomas do seminário não foram reconhecidos.

Ingressou no serviço diplomático em 1939, trabalhando como diplomata nos EUA. Fez pós-graduação em Economia pela Universidade George Washington, e iniciou uma tese de doutorado (Ph.D) na Universidade de Columbia de Nova York, a qual não chegou a concluir.

Participou, com o decano dos economistas brasileiros Eugênio Gudin, da Conferência de Bretton Woods, responsável pela criação do Banco Mundial e do FMI.

Vida pública

Trabalhou no segundo governo de Getúlio Vargas quando foi um dos criadores do atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do qual foi, posteriormente presidente, de agosto de 1958 a julho de 1959, e participou da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos que estudou os problemas econômicos brasileiros. Rompeu com Getúlio Vargas e foi designado para trabalhar no consulado brasileiro em Los Angeles, onde aproveitou para conhecer profundamente o cinema de Hollywood.

No governo de Juscelino Kubitschek, teve participação importante no Plano de metas, sendo um dos coordenadores dos grupos de trabalhos do Plano de Metas. Roberto Campos havia sugerido que se chamasse "Programa de Metas", sugestão que Juscelino não acatou. Roberto Campos sugeriu também que se fizesse um plano mais amplo visando combater o déficit público e equilibrar as contas externas através de uma reforma cambial.

Exerceu os cargos de Embaixador do Brasil em Washington no governo João Goulart e Londres no governo Geisel. Quando embaixador em Londres, Roberto Campos participou da banca de doutoramento em York do futuro presidente de Portugal professor Aníbal Cavaco Silva.

Apoiou, em 1964, o golpe militar no Brasil, e tornou-se ministro do Planejamento no governo Castelo Branco. Como ministro, juntamente com o colega Octávio Bulhões do Ministério da Fazenda, modernizou a economia e o estado brasileiro através de diversas reformas e controlou a inflação.

No Governo Castelo Branco, Roberto Campos participou do grupo que criou: o Banco Nacional da Habitação (BNH), o salário-educação, o cruzeiro novo, a indexação de preços na economia brasileira através correção monetária pelas ORTNs, Obrigações reajustáveis do tesouro nacional. Elaborou e executou uma reforma fiscal através do novo Código tributário nacional, em 1966. Liberalizou a lei de remessas de lucros, lei nº 4.390, de 29 de agosto de 1964.

Criou, em conjunto com outros, o Banco Central do Brasil, o FGTS, o Estatuto da Terra. Foi o autor dos artigos econômicos da Constituição de 1967, a qual foi, nas palavras dele, "a constituição menos inflacionista do mundo", a qual, entre outros dispositivos antiinflacionários, não permitia que o Congresso Nacional fizesse emendas ao orçamento que aumentassem os gastos públicos da união.

Como ministro foi combatido por governadores, entre eles Ademar de Barros e Carlos Lacerda, que eram contra o corte de gastos públicos que Roberto Campos determinou para combater a inflação.

Roberto Campos teve grande influência na formulação da política externa do Brasil do governo Castelo Branco através da sua teoria dos círculos concêntricos.

Posteriormente, Campos tornou-se crítico dos rumos tomados por duas de suas criações: a correção monetária e o Banco Central do Brasil.

Roberto Campos e Otávio Bulhões, e mais Eugênio Gudin em 1954, foram os únicos economistas liberais a chegarem aos cargos de ministros da área econômica desde Joaquim Murtinho que foi ministro da fazenda de Campos Sales.

Foi senador, por Mato Grosso, pelo PDS, por oito anos (1983-1991), e deputado federal pelo Rio de Janeiro por duas legislaturas (1991-1999). Fez um discurso antológico na sua estréia no Senado Federal, que foi respondido pelo senador Severo Gomes, surgindo, então, uma rivalidade que marcaria época no Senado Federal.

Votou em Paulo Maluf na eleição indireta para presidente da república em 15 de janeiro de 1985, argumentando ser adepto da fidelidade partidária ao candidato do PDS e alegando que o referido candidato adotaria uma política econômica alinhada aos princípios liberais e privatizantes que defendia, linha programática que, em sua visão, não corresponderia à administração do candidato da oposicão, Tancredo de Almeida Neves (PMDB), o vencedor do pleito.

No auge do Plano Cruzado durante o Governo José Sarney, Roberto Campos foi uma das poucas vozes a criticá-lo.

Sentia-se como sendo o único parlamentar na Assembléia Nacional Constituinte de 1988 a defender a economia de mercado. Não teve nenhuma de suas idéias aprovadas quando deputado e senador. Apresentou 15 projetos de leis no senado, todos rejeitados, entre os quais, estão projetos propondo:

  • Livre negociação salarial no setor privado e estabelece medidas de flexibilização do mercado de trabalho para evitar o desemprego.
  • Extinguir, como empresas estatais, as que forem deficitárias, privatizando-as ou liquidando-as.
  • Estabelecer a livre negociação salarial.
  • Criar contratos de trabalho simplificados para facilitar novos empregos.

Terminou o mandato de senador constituinte reclamando da solidão do liberal no Brasil.

Ao lado de José Guilherme Merquior foi um dos ideólogos do Governo Collor, chegando a ser fortemente cogitado para ocupar o cargo de Ministro das Relações Exteriores no início de1992, acerto que não se concretizou devido a desacertos políticos entre o PDS e o governo federal. Porém votou pela sua cassação, quando deixou o hospital onde estava internado com septicemia e compareceu de cadeira de rodas no Congresso Nacional, seu voto foi muito aplaudido.

Candidatou-se, à reeleição ao Senado Federal, pelo Rio de Janeiro, em 1998, perdendo por uma diferença de 5%, para Saturnino Braga.


Foi criticado por dar mais importância à Macroeconomia do que a Microeconomia.

Criou o Banco União Comercial, o qual presidiu e acabou por falir em 1974. Este fato teria causado grande prejuízo ao Brasil, pois o governo assumiu milhões de dólares contraídos pelo banco no exterior enquanto o Banco Central ficou com a dívida junto aos credores internos.

No governo foi introduzido no mundo das finanças e chegou ao gabinete do Ministro da Fazenda, onde ocupou cargos de segundo escalão. Seus críticos afirmam que seu papel na criação do BNDES, Banco Central e BNH, foi apenas de coadjuvante. Estes afirmam que O BC se originou de projeto de Lei do Deputado Ulysses Guimarães, apresentado em 1954, e o BNH foi idealizado exclusivamente por Sandra Cavalcante, seu primeiro presidente.

Seus críticos dizem que foi ausente nas suas atribuições no cargo de embaixador do governo João Goulart nos Estados Unidos da América.

Os opositores do liberalismo o criticam por ter sido um dos maiores defensores do liberalismo econômico no Brasil.

As idéias de Roberto Campos

Durante o início de sua carreira, Roberto Campos defendeu a intervenção estatal na economia desde que ligada ao desenvolvimento conjunto do setor privado capitalista e sem preconceito contra o capital estrangeiro, o que lhe rendeu a reputação de entreguista e a apelido (codinome) "Bobby Fields" dado por adversários de tendência anti-americana.

Fez este tipo de intervenção na economia, quando ministro do planejamento e no Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, onde não se criaram muitas empresas estatais.

Roberto Campos cunhou as expressões monetarismo e estruturalismo na década de 1950 para identificar as duas principais visões que os economistas tinham sobre inflação. Foi crítico da Cepal e dos economistas da Unicamp. Era crítico também da Reforma Agrária.

Após o governo Castelo Branco, com o progresso do gigantismo estatal e da burocratização no Brasil durante os governos subseqüentes da ditadura militar, muito especialmente nos governos de Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, intensificou sua posição aberta de doutrinário liberal defendendo a tese de que um país só pode ter liberdade política com liberdade econômica. Criticou fortemente as estatizações de empresas e a criação de novas empresas estatais pelos seus sucessores no ministério do planejamento.

Convenceu-se de que o estatismo é trágico e empobrecedor quando foi embaixador em Londres, nas décadas de 1970 e 1980, quando acompanhou de perto o programa de privatização da economia inglesa feito pela primeira ministra da Grã-Bretanha Margaret Thatcher. Nesse período participou da banca de doutoramento em economia na Universidade de York do atual presidente de Portugal Dr. Aníbal Cavaco Silva.

O triunfo do neoliberalismo, termo que ele dizia ser inexato, na década de 1990, deu-lhe a oportunidade de dizer, no seu livro de memórias:

Cquote1.svg"Estive certo quando tive todos contra mim".Cquote2.svg
— Roberto Campos

Ao morrer, com 84 anos, deixou a fama, entre seus admiradores, de sempre ter razão de remar contra a maré e ser um liberal solitário no Brasil.

Combateu, sem o menor apoio e êxito, o monopólio da Petrobrás, que Roberto Campos chamava de Pretrossauro, repetindo a frase do Presidente Castelo Branco que dizia: "Se é eficiente não precisa do monopólio, se precisa, não o merece". Sobre Petróleo, Roberto Campos dizia que "Petróleo é apenas um hidrocarboneto e não ideologia".

Mostrou seus dons de profeta quando previu, em 1982, que a Lei de informática aprovada naquele ano pelo Congresso Nacional e que era de iniciativa do governo João Figueiredo, iria condenar o Brasil ao atraso na área de informática, atraso o qual persiste até hoje com o Brasil importando hardwares de pequenos países asiáticos.

Ex-keynesiano, mais tarde discípulo do economista austríaco Friedrich August von Hayek, e lamentava ter perdido tempo com outros autores. Roberto Campos postulava como Hayek que o Estado deveria ter o tamanho mínimo possível para o cidadão não se tornar servo dele. Schumpeter também foi um economista que Roberto Campos admirou já na juventude. Sua tese não concluída de doutorado (Phd) teria Schumpeter como "tutor").

Em 1994, diria que sua defesa do dirigismo estatal havia sido um erro de juventude, "como a gonorréia" - um exemplo da ironia corrosiva pela qual se tornou conhecido. Sua inteligência nunca deixou de ser reconhecida até pelos inimigos políticos.

Seus adversários jamais cessaram de dizer que o seu apoio entusiástico, no início, ao Golpe de 1964, não era consistente com suas defesas da liberdade política, a não ser que por "liberdade" se entendesse a liberdade econômica e o fato do país não cair nas mãos do comunismo. Seus defensores, por outro lado, dizem que Roberto Campos fazia parte do "grupo castelista" e que, portanto, apoiou só o Governos Castelo Branco e Geisel, que, segundo seus defensores, foram governos mais liberais. Porém Roberto Campos foi contra as estatizações e criações de empresas feitas por Geisel, do qual ele mesmo foi o seu embaixador em Londres.

Sobre o socialismo e capitalismo, ele acreditava que:

" - O princípio axiológico do capitalismo é que o homem é dono de seu corpo e do produto de suas faculdades e só pode ser privado do produto dessas faculdades por consenso, contrato, ou pela aceitação de tributos sujeitos ao crivo da representação democrática. Já o socialismo parte do princípio de que o homem é proprietário de seu corpo, mas não é proprietário do uso de suas faculdades. Esse produto pode — e deve — ser redistribuído segundo determinados critérios ideológicos e políticos para alcançar algo definido como justiça social… O resultado é que não se otimiza o esforço produtivo. Toda a tragédia do socialismo é, no fundo, a sub-otimização do esforço productivo". (trecho retirado do livro "Conversas com Economistas Brasileiros").

Cquote1.svg"O mundo não será salvo pelos caridosos, mas, pelos eficientes".Cquote2.svg
— Roberto Campos

Roberto Campos também era muito crítico da sua profissão de economista: uma das suas frases mais famosas era:

Cquote1.svgHá três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista.Cquote2.svg
— Roberto Campos



terça-feira, 5 de abril de 2011

Liberdade Econômica e Crescimento


O professor de economia Josh Hall como maior liberdade econômica leva a maiores rendas e mais desenvolvimento econômico ao longo do tempo. Quando os governos permitem aos cidadãos liberdade para trocar, ter propriedades, empreender e firmar contratos com terceiros, a renda média cresce no longo prazo. Esse efeito pode ser observado quando se compara países à nível internacional, bem como a nível nacional, como os estados dos EUA.

Tradução: Henrique Paiva
Legendas: Juliano Torres

segunda-feira, 4 de abril de 2011

“Brasil, que envergonha!”

“Brasil, que envergonha!”
A Saúde Pública no Brasil é desumana!
Ricardo Martins
Uma vez mais retorno ao tema, assim como a TV , em um excelente trabalho da equipe de produção do programa Globo Repórter, apresentou e destacou na última sexta- feira, 1º de abril de 2011, o mesmo ocorrendo com a TV Record , no domingo, dia 03 de abril.
A Saúde Pública no Brasil é um retrato do desinteresse público e político, da falta de gestão, da irresponsabilidade governamental e de desumanidade. Sua situação é deplorável, deprimente e cruel.

O que foi retratado é a pura realidade! É o que acontece em todos os estados do país e na esmagadora maioria de hospitais e postos de saúde, nos grandes, médios e pequenos municípios. Um crime sem precedentes!

Desde o atendimento truculento e agressivo nas recepções, passando pelos  “agentes de segurança”, em sua grande maioria covardes e ignorantes, merecedores de uma boa e dolorida camaçada de pau, e também por  enfermeiros, médicos e administradores apáticos, indiferentes, brutos e omissos.

São todos cúmplices dos governos insensíveis e insensatos, que são os responsáveis pelo estado em que se encontra os serviços relativos a saúde pública oferecido aos brasileiros, aos cidadãos, a quem paga a conta. Isso, infelizmente não é diferente do INSS, da segurança pública, do estado lamentável das estradas, do sistema prisional e outros serviços públicos, também pagos pelo contribuinte, que são de péssima qualidade.

Em um país sério, com gente responsável e digna no comando, seria bem diferente, isso certamente não aconteceria, porém se assim fosse, diante do que foi retratado, muitos já estariam na cadeia.

Agora, aqui no Brasil,  recorrer a quem? Ao judiciário? Rsrsrsrsr! Desculpem, mas soa como brincadeira, não?

Corporativo, desinteressado e oportunista (agora querem esvaziar o CNJ) este judiciário que aí está não deve nem ter “assistido aos programas” e certamente desconhece o estado de coisas, a realidade Brasil afora, pois não entram nas filas, seus familiares idem, não necessitam de remédios e exames gratuitos, enfim, vivem em outro mundo.

Diante disso,  o que me causa espanto é o Ministério Público Federal e Estadual,  onde existem muitos promotores sérios e dedicados, não se manifestar publicamente, se bem que, coitados, sozinhos, fica difícil, pouco ou nada é possível fazer.

O que é fato, porém, é que as pessoas são maltratadas, tem que esperar por horas a fio, por um atendimento, meses por medicamentos ou exames, enfim, continuam morrendo nas filas do SUS. Um absurdo, uma vergonha, mais que isso, um crime! Alguém tem que fazer alguma coisa.

De nossa parte, o que nos resta  fazer? Explicitar e cobrar com veemência soluções e nas eleições escolher com melhor critério em quem votar.

domingo, 3 de abril de 2011

José Alencar morre e a hipocrisia vive...


http://ucho.info/de-frequentador-da-zona-a-critico-dos-juros-altos-jose-alenc...

No Brasil, a exemplo do que ocorre em boa parte do planeta, exigir coerência no mundo político é a mais hercúlea das tarefas. Quiçá não seja uma empreitada completamente impossível. Quando um político passa para o outro lado da vida, se é que isso de fato existe, suas mazelas chegam à sepultura muito antes do cadáver. O mau vira bom, o desonesto vira honesto, o implacável vira um coitado. Sem querer duvidar da sua honestidade, esse cenário já recobre a morte de José Alencar Gomes da Silva, vice-presidente da República nos dois mandatos de Lula da Silva (2003-2010), que morreu em São Paulo após mais de uma década de luta contra um câncer abdominal.


***
Supremo recebe ação sobre empresa de José Alencar
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u734955.shtml

http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoDetalhe.asp?incidente=3881052

Juiz nega recurso de José Alencar sobre paternidade
http://www1.folha.uol.com.br/poder/791897-juiz-nega-recurso-de-jose-alencar-s...

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,justica-reconhece-filha-de-jose-alencar-com-enfermeira,584875,0.htm

Empresa de José Alencar sofre investigação por doações eleitorais
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u632324.shtml

Empresários brasileiros fizeram lobby por "zona franca" no Haiti
http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/01/14/haiti-empresarios-brasi...

Coteminas perde recurso e pode entrar na lista suja do trabalho escravo
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1322574-9356,00-COTEMINAS+PERDE+RECURSO+E+PODE+ENTRAR+NA+LISTA+SUJA+DO+TRABALHO+ESCRAVO.html

Mãe assiste à filha morrer por falta de vaga em CTI infantil no Pará
Na maior emergência do Pará, não há pediatra na enfermaria infantil. Começa, então, uma mobilização para improvisar UTI para Ruth. Mas a menina morreu minutos após ser levada para o leito improvisado.

http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/04/mae-assiste-filha-morrer-p...

Nesse hospital José Alencar nunca se tratou!

O plano de saúde do José Alencar
http://congressoemfoco.uol.com.br/coluna.asp?cod_publicacao=36563&cod_can...

Biografia:

José Alencar Gomes da Silva (Muriaé,17 de outubro de 1931 — São Paulo, 29 de março de 2011) foi um empresário e político brasileiro.

Foi senador pelo estado de Minas Gerais e vice-presidente do Brasil de 1 de janeiro de 2003 a 1 de janeiro de 2011.

Foi um dos maiores empresários do estado de Minas Gerais. Construiu um império no ramo têxtil, sendo a Coteminas sua principal empresa. Elegeu-se vice-presidente da República do Brasil na chapa do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, conseguindo a reeleição em 2006, assegurando, portanto, a permanência no cargo até o final de 2010.

Nascido em Itamuri, no município de Muriaé, aos 17 de outubro de 1931, filho de Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, começou a trabalhar com sete anos de idade, ajudando o pai em sua loja. Tinha 14 irmãos e irmãs. Quando fez quinze anos, em 1946, foi trabalhar como balconista numa loja de tecidos conhecida por "A Sedutora". Em maio de 1948, mudou-se para Caratinga, para trabalhar na "Casa Bonfim". Notabilizou-se como grande vendedor, tanto neste último emprego, quanto no anterior. Ainda durante sua infância, entrou para o movimento escotista.

Aos dezoito anos, iniciou seu próprio negócio. Para isto contou com a ajuda do irmão Geraldo Gomes da Silva, que lhe emprestou quinze mil cruzeiros. Em 31 de março de 1950, abriu a sua primeira empresa, denominada "A Queimadeira", localizada na cidade de Caratinga. Vendia diversos artigos: chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas, sombrinhas, etc. Manteve sua loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo.

Iniciou seu segundo negócio na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga. Logo em seguida participou - em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho - de uma fábrica de macarrão, a "Fábrica de Macarrão Santa Cruz".

No final de 1959 seu irmão Geraldo faleceu. Assumiu então os negócios deixados por ele na empresa União dos Cometas. Em homenagem ao irmão, a razão social foi alterada para Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.

Em 1963, constituiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar Wembley Roupas S.A. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos que o país já conheceu.

A Coteminas cresceu e hoje são onze unidades que fabricam e distribuem os produtos: fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul.

Na vida política, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura - CI, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Foi, ao início, um vice-presidente polêmico, ao assumir o cargo em 2003, tendo sido uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que mantém os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.

Já a partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Por diversas oportunidades, demonstrou-se reticente quanto à sua permanência em um cargo tão distinto de seus conhecimentos empresariais, mas a pedidos do presidente Lula, exerceu a função até março de 2006. Nesta ocasião, renunciou para cumprir as determinações legais com o intuito de poder participar das eleições de 2006. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Em 25 de janeiro de 2011, recebeu a medalha 25 de janeiro da prefeitura de São Paulo. Ao entregar a medalha ao ex-vice-presidente, a presidente Dilma Rousseff ressaltou: “Eu tenho certeza de que cada brasileira e brasileiro deste imenso país gostaria de estar agora em São Paulo – esta cidade-síntese do espírito empreendedor do país que completa hoje 457 anos de existência – para entregar junto conosco a Medalha 25 de Janeiro ao nosso eterno vice-presidente da República, José Alencar.” Já, Alencar disse: "Não posso me queixar. A situação está tão boa que não tem como melhorar, todo mundo está rezando por mim". Apesar de estar em uma cadeira de rodas, ele ainda até brincou com o público dizendo: "Aprendi com Lula que os discursos devem ser como um vestido de mulher: nem tão curtos que possam escandalizar, nem tão longos que possam entristecer".

José Alencar possuía um delicado histórico médico. A partir do ano 2000, enfrentou um câncer na região abdominal, tendo passado por mais de quinze cirurgias - uma delas com duração superior a 20 horas. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo. Em 2010, após repetidas internações e intervenções médicas, decidiu desistir de se candidatar ao Senado.

No final de seu mandato como vice-presidente da República, em 2010, apresentava um complexo estado de saúde, sendo necessária até mesmo a interrupção do tratamento contra o câncer. No dia 22 de dezembro de 2010, foi submetido a uma cirurgia para tentar conter uma hemorragia no abdômen. No dia seguinte Lula e a então presidente eleita Dilma Rousseff visitaram-no no hospital Sírio-Libanês em São Paulo.

Em 9 de janeiro de 2011, o sangramento é controlado e ele deixa a UTI. No final do mesmo mês, sai do hospital para receber uma honraria da Prefeitura de São Paulo, recebendo alta pouco depois para que continuasse o tratamento em casa. Em 9 fevereiro, retorna à UTI devido a uma perfuração intestinal, sendo liberado no mês seguinte.

Voltou a ser internado em 28 de março, vindo a morrer no dia 29 devido a falência múltipla dos órgãos em decorrência do câncer na região abdominal.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva, que no momento da morte de Alencar se encontravam em Portugal por motivo da atribuição de um doutoramento honoris causa ao ex-presidente do Brasil concedido pela Universidade de Coimbra, anteciparam o seu regresso para o dia 30 de março. Dilma Rousseff ofereceu à família de Alencar o Palácio do Planalto para que o corpo seja velado e decretou um luto nacional de uma semana. Lula e Dilma acompanharam o velório em Brasília e Belo Horizonte.

A família de Alencar optou por sua cremação, em cerimônia realizada no dia 31 de março no Cemitério Parque Renascer, em Contagem.


23.07.2010

Do Blog Meu Araripe

A professora aposentada Rosemary Morais, 56 anos, disse que sua mãe, Francisca Nicoline de Morais, morta há sete meses, queria obter o reconhecimento da paternidade da filha pelo vice-presidente José Alencar “por uma questão de honra”. Nesta quarta (21), um juiz determinou que Alencar reconheça a paternidade de Rosemary, mãe de um filho, Gladston Morais, 26 anos. O advogado do vice-presidente informou que vai recorrer da decisão.

“Na época que era viva, minha mãe queria que resolvesse mais por questão de honra, para provar que ela falava a verdade”, afirmou. Rosemary conta que, há 14 anos, sua mãe ficou doente e decidiu contar sobre a identidade do pai. Segundo ela, Francisca mostrou a foto de um dos filhos de Alencar em um jornal e disse: “Este é seu irmão, filha”. “Ela me perguntou se eu reconhecia o rapaz e eu disse que não. Nunca tinha ouvido falar do Alencar antes desse dia”, lembrou a professora.

Segundo a professora, a mãe era enfermeira em Caratinga e teve um relacionamento com Alencar no início da década de 50. “Por ela ser muito humilde, ele [Alencar] deixou minha mãe de lado, não deu importância para a gravidez. Ela contava que ele não era de ficar presenteando. Ia na casa dela, dormia e no dia seguinte ia trabalhar. Não era um namoro de apaixonado. Era um caso apenas”, conta a professora aposentada. Mais aqui

quinta-feira, 31 de março de 2011

Doutrinação

Doutrinação
Pela editoria do site:   www.averdadesufocada.com

Pobre do povo que deixa que sua História seja reescrita. Assim como alguns jovens, com muito menos meios de comunicação existentes na época, foram levados a atos insanos no confronto com Órgãos de Segurança, essa nova geração está sendo doutrinada, diariamente. A história se reescreve de forma vergonhosa. Exemplo disso foi o Programa Conexão Repórter, exibido ontem no SBT, em que as arruaças, os assaltos a bancos, os assassinatos, os sequestros de diplomatas e de aviões, os "justiçamentos" e os atentados a bombas foram omitidos . O que a produção do programa apresentou foi o "massacre" de "inocentes úteis", doutrinados e insuflados por comunistas que tentavam derrubar o regime militar para implantar uma ditadura nos moldes de Cuba.
Preocupa-nos ver o desrespeito e a despreocupação com a História do Brasil por intelectuais e autoridades que ainda têm voz  e vez neste país.
O povo que não conhece o seu passado histórico corre o risco de vê-lo repetir-se. 
Para meditar“A incapacidade de um povo para perceber os perigos que o ameaçam é um dos sinais mais fortes da depressão autodestruiva que prenuncia as grandes derrotas sociais. A apatia, a indiferença ante o próprio destino, a concentração das atenções em assuntos secundários acompanhada de total negligência ante os temas essenciais e urgentes, assinalam o  torpor da vítima que, antevendo um golpe mais forte do que poderá suportar, se prepara, mediante um reflexo anestésico, para se entregar inerme e semidesmaiado nas mãos do carrasco, como o carneiro que oferece o pescoço à lâmina.
Mas quando o torpor não invade somente a alma do povo, quando toma também a mente dos intelectuais e a voz dos melhores, já não se ergue senão para fazer coro à cantilena
hipnótica, então se apaga a última esperança de um redespertar da consciência.”

Olavo de Carvalho - “O Jardim das Aflições” - Editora É Realizações